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    Memórias de uma mãe cadeirante
     


    Viver a vida

    Um ano depois da novela, me flagro ainda envolvida nos seus desdobramentos. Até hoje não passei uma semana sem responder sobre a Luciana ou sem receber notícias de projetos inspirados e disparados pelo roteiro do Maneco. Sinto borboletas na barriga cada vez que recebo esse tipo de retorno. Nesse tempo, tenho acompanhado algumas grávidas e compartilhado as sensações mágicas que só quem tem um bebê crescendo dentro da barriga pode experimentar. É tão bom, tão bom.... e como passa rápido. A vida passa depressa demais. Estou naquelas fases em que essa realidade grita. E parece faltar tempo para viver tanta vida.

    Não vou entrar num dos meus frequentes questionamentos sobre o tempo. Aprendi a me perdoar pelas coisas que não consigo fazer e aplacar a angústia que ainda me visita no final de um dia que termina antes que eu cumpra tudo o que planejei. Minha pauta do momento é outra.

    Meus filhos tem me perguntado sobre a morte. Descobriram que existe um dia que a pessoa dorme e não acorda nunca mais. Nem mesmo com o beijo do príncipe da Bela Adormecida. Numa das nossas conversas sobre o assunto, Mariana me pediu para não morrer. Mateus arregalou os olhos a espera da minha resposta. Eu queria prometer que não vou morrer nunca, mas não pude. E, silenciosamente, me arrependi por não ter sido mãe dez anos antes. Seriam dez anos de vida a mais que eu teria para dedicar a eles.

    Me deu medo de morrer. Medo de não poder acompanhar, orientar, proteger, acalentar, encaminhar. Medo de ir embora antes de serem adultos, independentes, seguros. O medo de faltar a eles é maior que o medo de deixar de viver. Será prepotencia me achar tão importante? Vejo todas as mães terem certeza que ninguém conhece seus filhos melhor que elas, que ninguém os ama mais do que elas e que ninguém faria por eles nada melhor do que elas. Putz, sou mais uma.



    Escrito por Flavia Cintra às 22h58
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    Ainda sobre a carruagem...

    O exterminador de degraus

    por Beto Vople

    www.cargaviral.blospot.com

    O lamentável fato ocorrido com a amiga Flávia Cintra e sua família dia 20 de fevereiro no Teatro Ressurreição em São Paulo, de tão lamentável só poderia desaguar em um momento ímpar, daqueles momentos que acontecem para transformar o futuro. Para quem não está a par, ela foi impedida de assistir à peça Cinderela com seus filhos gêmeos Mateus e Mariana de três anos, sua mãe, uma prima das crianças e a babá. Porque não havia a acessibilidade prometida no site do teatro. O que fez esse momento tão especial foi o questionamento de Mateus com relação à situação:
    - “É proibido entrar pessoas de cadeira de rodas neste teatro?”
    E a magia foi sacramentada pela sabedoria da voz materna, que disfarçava bem sua angústia::
    - “Não, Mateus. É proibido ter degraus no teatro.”
    Ao retornarem para casa e reencontrar sua ansiosa mãe, os gêmeos não se continham ao contar os detalhes da peça até que Mateus, decretando o nascimento de um verdadeiro e genuíno líder, disparou:
    - “Ah, mamãe, tem outra coisa! Eu pedi para a fada da Cinderela te ajudar a fazer desaparecer os degraus. Ela disse que vai ajudar”
    Verdadeiro porque há poucos dias havia compreendido o significado da palavra ‘proibido’ e já demonstrava ter aprendido direitinho o que mamãe ensinara e, além disso, havia passado por uma situação onde ele sentiu o que significa ‘exclusão’. E genuíno porque não se conteve diante da adversidade e, ao contrário de todas as crianças que foram falar com o Príncipe Encantado ao final da peça, ele se dirigiu à Fada Madrinha, provedora do Reino Encantado, e educadamente pediu que ela removesse os degraus, eliminando as barreiras que o separaram de sua mãe.
    Não tardará e ele saberá o que é ONU e também interpretar e lutar pela regulamentação do Decreto 5296, também tão ansiado por sua mãe e por tantas outras pessoas que, em seus sonhos secretos, pedem às suas fadas madrinhas um mundo acessível e justo, sonho que não consegue emplacar na realidade do Congresso Nacional.
    Lembrei do filme ‘O Exterminador do Futuro 2’, onde dois robôs vindos de um futuro marcado pela exclusão duelam para decidir a vida daquele que iniciaria um movimento de libertação dos humanos do jugo dos robôs. Não estranharia se Schwarzenegger tivesse surgido ali, naquele domingo de 2011 na casa de Flavinha, dizendo:
    - ‘Eu vim do futuro para salvar a vida de seu filho, uma pessoa que em determinado momento da história fará a diferença para a raça humana.’
    E Flavinha, visionária que é, diria:
    - “ Que bom que você chegou. Aceita um delicioso café de dona Carmen? Sente-se ali com Mateus e Mariana.”

    Beto Volpe
    Às pessoas que acreditam e lutam por finais felizes.


    Escrito por Flavia Cintra às 21h30
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    Ótimas notícias: A abóbora ainda pode virar carruagem!

    Amigos,

    Em resposta ao "A carruagem que virou abóbora", ontem eu recebi um telefonema de Robson Vellado, diretor do Teatro Ressureição, se desculpando e lamentando o ocorido no último domingo.

    Conversamos bastante e ele se comprometeu em realizar as adequações necessárias com a maior brevidade possível.
    Hoje ele divulgou essa nota, informando as providências. Fiquei feliz, mas só vou comemorar depois que o acesso estiver pronto.
    Quero voltar lá com meus filhos para que eles vejam que seu protesto foi atendido e nossos direitos respeitados.

    No mesmo telefonema, já avisei que ele também vai precisar ter audiodescrição. É claro que ele nunca ouviu falar no assunto e prometi enviar material.
    Tenho certeza que a "sensibilização" é resultado dos inúmeros e mails que eles receberam, além da minha carta.
    Estou imensamente grata ao apoio e a amizade de vocês.
    Somos muito forte juntos e podemos mudar o mundo!

    Beijos meus, do Mateus e da Mariana


    ----- Original Message -----
    From: "Teatro Ressurreição" <teatro@teatroressurreicao.com.br>
    To: "Teatro Ressurreição" <
    teatro@teatroressurreicao.com.br>
    Sent: Tuesday, February 22, 2011 9:30 PM
    Subject: Nota de Esclarecimento

    Segue em anexo Nota de esclarecimento além da retratação por telefone e e-mail com Flávia Cintra.

    Nota de esclarecimento
    Em resposta ao ocorrido no último domingo em relação à dificuldade de acessibilidade ao teatro ressurreição, tomamos as seguintes providências:
    - visita agendada  para o dia 23.02 com o engenheiro, para estudo do acesso;
    - reunião agendada com a mantenedora para 2ª. feira, dia 28.02;
    - reunião interna para o desenvolvimento do projeto e planejamento da
    execução do acesso segundo o decreto 5296/2004.


    Direção do Teatro Ressurreição


    Teatro Ressurreição
    teatro@teatroressurreicao.com.br



    Escrito por Flavia Cintra às 12h16
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    Boas notícias!

    Aimee Mullins e Oscar Pistorius foram escolhidos para representar L’Oréal e Thierry Mugler pelo mundo

    Além da atuação como modelo e do envolvimento com o atletismo, Aimee Mullins e Oscar Pistorius têm uma característica em comum: ambos possuem deficiência física. Sem as duas pernas desde a infância, os dois nunca deixaram que a deficiência estabelecesse limites a suas vidas.

    Corredor paraolímpico, Pistorius – que tem o apelido de “Blade Runner” – foi convidado por Thierry Mugler para a recente campanha da colônia A*Men. Na propaganda, o atleta aparece correndo, sem o menor impedimento físico, com um vidro da fragrância em uma das mãos.

    Aimee Mullins entrou para o time de musas da L’Oréal Paris. Eleita a nova embaixatriz da marca, a modelo passa a representar a grife de cosméticos ao lado de Jennifer Lopez, Diane Kruger, Beyoncé e Freida Pinto.

    Assista ao making of da campanha do L'Oréal "Aimee Mullins é uma supermulher". http://www.youtube.com/watch?v=ZsT0zcRIczQ



    Escrito por Flavia Cintra às 09h09
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    A carruagem que virou abóbora

    Adoro teatro e estimulo meus filhos a desenvolver esse gosto. Desde que eram pequenininhos, procuro peças adequadas à sua idade e vamos assistir juntos. Acho que parte da magia está na espera pela apresentação e, desta vez, fomos ansiosos assistir Cinderela, um de seus contos de fadas preferidos. Confesso que é um dos meus preferidos também.

    No site do Teatro Ressurreição (http://www.teatroressurreicao.com.br/), onde a peça estava em cartaz neste final de semana, consta que há acessibilidade para pessoas “especiais”. Ao visitar a página do teatro, me incomodei com a terminologia inadequada e não resisti: mandei um e mail sugerindo melhorar o texto, utilizando “pessoas com deficiência”. Mal sabia que este incomodo não seria nada perto do que estava por vir.

    Como faço por costume, me certifiquei do acesso num telefonema em que a atendente confirmou que o espaço era todo acessível para cadeirantes. Então, fui tranqüila com meus dois filhos de 3 anos e meio, minha sobrinha de cinco, minha mãe e a babá.

    Cheguei com antecedência, uma hora antes do inicio do espetáculo, e aí os problemas começaram acontecer. Na entrada do teatro havia um degrau. Sim, um único degrau, mas o suficiente para impedir minha entrada. Pedi para a babá perguntar ao funcionário lá dentro onde estava a entrada acessível, pois não me passava pela cabeça que não houvesse, já que eu tinha me certificado disso antes. Um segurança chegou para me explicar que aquele ali era “o único degrau”, mas que ele me ajudaria a subir. Cadeiras de rodas motorizadas são pesadas, não é tão simples levantá-las... primeiro porque se a cadeira virar, eu me machuco e quem está me ajudando também pode se machucar. Depois porque a cadeira pode quebrar. Mas, ponderei, eu já estava ali... o degrau não era tão alto. Calculei os riscos e aceitei a ajuda.

    Na bilheteria, outro problema. O funcionário informou que o lugar reservado para cadeirantes fica no fundo do teatro. Não havia espaço para que eu ficasse perto das crianças. Enquanto eu e minha mãe discutíamos com a funcionária, Mariana avisou que precisava ir ao banheiro. A babá a acompanhou até o saguão do teatro, um espaço confortável com ar condicionado, com quatro degraus altos na entrada. E como vou entrar no saguão para aguardar a peça?

    Laura, uma moça linda e simpática que trabalha como estagiária no teatro não sabia mais o que fazer. Ela me explicou que o acesso ao teatro é feito por uma entrada lateral, um corredor de serviço usado para passagem de técnicos de cenário, figurino e elenco. Visivelmente chateada e constrangida, ela foi se informar mais. Voltou com o segurança Edson, outro fofo que tentou me ajudar. Ele sugeriu a outra entrada por onde, segundo ele, havia “apenas um degrau” para se chegar ao saguão. Descemos o degrau da primeira entrada, fomos pela rua até a segunda entrada onde havia um degrau igual ao primeiro. Subimos de novo. Então, vi o tal degrau para o saguão. Tinha uns 40 cm de altura, impossível. A essa altura, eu via meus filhos lá dentro com a minha mãe que me olhava aflita. Algumas pessoas que observavam tudo começaram a se manifestar, outras me reconheceram por causa do meu trabalho e se aproximavam para me cumprimentar, enquanto eu tentava raciocinar para decidir o que fazer.

    Eu não ia fazer meus filhos e minha mãe ficarem comigo embaixo do sol forte daquele horário, aguardando do lado de fora do teatro. Eu até esperaria sozinha, mas se eu pudesse... pelo menos, estar ao lado deles para assistir a peça.  Isso também não seria possível. Eu já estava nervosa e vendo a situação piorar, virar um tumulto. Se eu estivesse sozinha ou acompanhada só de adultos, talvez continuasse a briga. Mas, eu levei as crianças para assistir Cinderela e não queria estragar o passeio deles.

    Acenei para minha mãe trazer meus filhos e minha sobrinha. Eles desceram os degraus e me ouviram explicar que eu ia esperá-los em casa. Minha filha e minha sobrinha lamentaram com um "ahhhhh...", mas meu filho questionou severamente: "Por que mamãe?"

    - Filho por que não dá para a mamãe entrar, você está vendo...

    Então, a conversa ficou séria.

    - É por que você anda de cadeira de rodas?

    - Não, filho, é por que aqui tem esses degraus.

    - Mamãe, é proibido entrar pessoas de cadeiras de rodas nesse teatro?

    - Não, Mateus. É proibido ter degraus no teatro.

    - Então, eles precisam consertar!

    - A mamãe vai trabalhar para isso.

    Percebi a indignação das pessoas que assistiram as perguntas do meu filho. Não havia o que fazer. Eu queria acabar com aquilo. Queria que eles se divertissem e fui contornando a situação até que eles entraram felizes com minha mãe e a babá.

    Voltei para casa de taxi, chorando de raiva e tristeza. Não chorei por mim, mas pela decepção deles, pela injustiça. Eu comprei ingressos de um teatro que se dizia com acessibilidade. Fiz tudo certo, confirmei por telefone e cheguei antes para não ter problema. Fiquei pensando se eles não sabem o que é acessibilidade ou se mentem para as pessoas. Pior que não ter acesso foi mentir que tinham, pois me obrigaram a viver com meus filhos a cena que eu tenho evitado e adiado desde que eles nasceram.

    O relógio parecia parado. O tempo não passava. Enquanto os esperava voltar, ficava simulando mentalmente outros jeitos de reagir, tentando interpretar se eu havia feito o melhor. Eu detesto armar barraco e acho que não valeria a pena expor as crianças ainda mais.

    Eles chegaram entusiasmados, contando detalhes da peça. Até que...

    - Ah, mamãe, tem outra coisa! Eu pedi para a fada da Cinderela te ajudar a fazer desaparecer os degraus. Ela disse que vai ajudar.

    Me desculpe o desabafo, mas é que precisamos de muitas fadas para concretizar o “...e foram felizes para sempre”.

    Varinhas de condão estão disponíveis no Decreto 5296.



    Escrito por Flavia Cintra às 21h13
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    Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo...

    ...e assim, ouço histórias, perguntas, risadas, assisto discussões e me delicio com tanta imaginação e criatividade. Um pedaço de papel vira o roteiro de uma princesa, um castelo, um herói, uma nave espacial, uma árvore gigante que encosta no céu.

    Quando Mariana vai buscar mais água para a tinta guache e demora para fechar a torneira, Mateus adverte: “se continuar assim, vai acabar a água do planeta!”.

    Não são lindos? Ai... ai...



    Escrito por Flavia Cintra às 21h29
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    Quero deixar 2011 acontecer mais.

    Me dei ao luxo de não planejar. Fui com as crianças para a praia nos últimos dias de 2010 disposta a deixar a vida acontecer.

    Amanheceu sol? Vamos para o mar. Esta chovendo? Ótimo, vamos passear. Hora do almoço? Logo ali tem um restaurante muito bom. Não tem rampa? “Ah, Flávia, respira fundo...e peça ajuda sem fazer discurso.”

    Resolvi tirar ferias de mim mesma. Emendei um encontro com amigos numa brincadeira com as crianças; uma soneca num passeio; uma tarde na praia num delicioso jantar; sem preocupação com nada. Uma delicia.

    Simples, né? Mas, para mim foi a primeira vez em muitos anos. Tenho mania de antecipar, exagerar na preparação, fazer roteiro. É legal, dá uma sensação de segurança, parece que assim eu aumento as chances de tudo dar certo.  Só que, dessa vez, eu entreguei para Deus. Fui sem hora, sem agenda, sem planos, sem combinar nada com antecedência maior que 30 minutos com ninguém. Um caos? Para minha surpresa, não. Foram dias mágicos que eu não seria capaz de planejar nem nos meus momentos mais criativos.

    Conheci pessoas incríveis, revi amigos que amo, me reencontrei com a Flávia menina que adorava fazer castelos de areia, enquanto assisti meus filhos brincarem à beira do mar. Senti o amor mais puro e delicado na pele. Me senti grata à chuva, ao sol, à noite, ao tempo, à demora, à espera, aos desencontros, coincidências e reencontros que a vida oferece quando permitimos que ela simplesmente aconteça.



    Escrito por Flavia Cintra às 14h10
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    Ano que vem tem mais!

    Envolta de enlatados, papéis de presente, temperos e dois pequenos curiosos que não param de perguntar “para que isso serve?”, “o que é isso?”, “posso pegar um pedacinho?”, só agora me caiu a ficha que o ano acabou. Vim num movimento tão acelerado que atravessei dezembro quase inteiro acreditando que ainda faltava muito para o natal e que eu, finalmente, estava providenciando tudo com muuuuuita antecedência. Mas, na verdade, essa foi a primeira vez que organizei meu fim de ano sem estar atrasada! Para quem tem problemas crônicos e existenciais com o tempo, essa é uma baita conquista.

    Agora estou aqui estudando receitas de peru na internet. Vou preparar o prato pela primeira vez na minha vida e não posso errar, já que será essa a minha contribuição para a ceia de amanhã. Já fiz a berinjela em conserva, que é a minha especialidade na família, e também vou levar um doce de chocolate. Faz pouco tempo que aprendi a gostar de ser “dona de casa” e nessa época do ano eu gosto ainda mais.

    Adoro escolher os presentes, escrever os cartões, arrumar as embalagens, trocar telefonemas com minhas irmãs para resolver detalhes de última hora. Como fazemos todos os anos, nos reuniremos na casa da minha mãe e a empolgação das crianças me trás de volta o sabor da infância. A família vai crescendo e continuamos firmes, ninguém abre mão de estarmos juntos no natal. Que venham os novos maridos, esposas, amigos, namorados, agregados, todos muito bem vindos. Uma delícia.

    Esse foi um ano muito importante, muito mesmo. Não vou escrever retrospectiva, acho que não precisa. Apesar de não ser assídua como eu gostaria nos meus posts, eu sei que você sabe o quanto esse ano foi intenso, desafiador e generoso comigo. Sei que você torceu por mim e comigo, se emocionou junto, sentiu “borboletas na barriga” como eu. Eu sei que se você vem sempre aqui é porque temos valores, objetivos, interesses, sonhos em comum. Eu te desejo o melhor natal da sua vida. E que em 2011 a gente possa continuar essa preciosa troca por aqui.

    Com amor,

    Flávia



    Escrito por Flavia Cintra às 12h36
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    Telefonema da mãe pode valer tanto quanto um abraço

    Uma pesquisa do Departamento de Biologia da Universidade de Wisconsin revelou que o cérebro da criança reage da mesma maneira quando recebe um abraço ou um telefonema da mãe.

    No estudo, meninas de 7 a 12 anos foram submetidas a situações de estresse e tiveram que resolver questões de matemática e falar em público inesperadamente. Elas foram divididas em três grupos: no primeiro, a mãe apareceu pessoalmente para dar um abraço; no segundo, a mãe apenas telefonou e perguntou o que tinha acontecido; já no terceiro grupo, as meninas assistiram a um filme infantil.

    As meninas que receberam um telefonema e as que receberam um abraço da mãe tiveram a mesma reação: aumento do nível de ocitocina, conhecida como o hormônio do amor. As meninas que viram o filme não liberaram este hormônio.



    Escrito por Flavia Cintra às 10h06
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    Ética e solidariedade

    Mateus resolveu tirar uma soneca e eu havia prometido que daria paçocas para eles depois do almoço. Esse doce é o hit do momento aqui em casa, mas como sou “durona” na alimentação deles, só dou de vez em quando. Então, Mariana cobrou: "mamãe, você não vai me dar a paçoca?"

    Entreguei o doce à pequena, ela comeu e pediu outro. Eu respondi “só tem mais uma!”. Ela parou, pensou e respondeu: “então, eu não quero... guarda para quando o Mateus acordar”.

    Ética. Foi isso que vi na atitude da minha filha. Pensou que se só tinha mais uma paçoca, não era certo deixar o irmão sem nenhuma, mesmo estando ele dormindo. Fiquei emocionada e muito orgulhosa dela. E expliquei que ela poderia comer seu 2º doce, pois havia outros dois guardados para o Mateus.

    Temos muito a aprender com as crianças. Nesse vídeo,  fiquei comovida com a sensível ilustração de solidariedade.

    Por que o ser humano muda tanto depois que cresce, heim?



    Escrito por Flavia Cintra às 17h40
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    Dia das mães na Argentina

    Na semana do Dia das Mães, meu amigo Jairo Marques me pediu para escrever alguma coisa para publicar no seu blog. Fiz uma carta para ele, mas pretendia publicá-la aqui depois. Acabei esquecendo.

     

    Agora eu tive a surpresa de saber que esse texto foi traduzido e publicado no http://superaccionargentina.wordpress.com/, pois na Argentina o Dia das Mães é comemorado em outubro. Adorei me reler em espanhol e confirmar que mães sentem e falam numa língua que é universal. Vale a pena visitar o blog dos nossos amigos argentinos.

    Deixo aqui o texto em português, que tirei do arquivo do http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/arch2010-05-01_2010-05-31.html



    Escrito por Flavia Cintra às 17h17
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    carta para o Jairo - maio/2010

    Jairo,

    Até pouco tempo atrás, eu não imaginava que você me lesse e fiquei orgulhosa só de saber que você conhecia o meu blog. Sou sua fã, leio sempre tudo aqui e só te admiro cada vez mais. Nessa semana das mães, você se superou a cada post. Me emocionei, dei risada, senti raiva, angustia, afinidade, carinho e borboletas na barriga.

    Sou sua fã, faço parte da sua Matrix, mas tem uma única coisa que eu tenho e você não tem. Eu sou mulher. É maravilhoso ser mulher porque, com todo o meu respeito e reconhecimento aos pais, só as mulheres podem ser mães. E ser mãe é a melhor coisa do mundo!

    O dia mais feliz da minha vida foi o do nascimento do Mateus e da Mariana. Fiquei grávida sem planejar, depois dos 30, tetraplégica e de gêmeos. Minha gravidez “de alto risco” foi um período saudável, tranquilo, emocionante e inesquecível. Eu amava minha barriga cada vez mais redonda e as sensações de ter meus bebês crescendo, se mexendo, se preparando para virem ao mundo.

    Primeiro veio o Mateus, às 7h30. Chorou forte, alto, sem perder o fôlego. A Dra Miriam me deixou tocá-lo por um minuto, antes de entregá-lo ao pediatra. Naquele momento, nos olhamos nos olhos e o mundo parou. Tenho esse instante congelado na minha lembrança. Foi a emoção mais forte que já senti na minha vida. Eu não sabia que era capaz de amar tanto. Mas, e a Mariana? Estava a caminho...

    Mariana nasceu às 7h34min. Muuuito tempo depois de Mateus. Esses quatro minutos foram a espera mais longa que já experimentei até hoje. Eu não sabia se meu choro era de felicidade por saber que Mateus estava bem ou se era de medo de alguma coisa não dar certo com a Mariana.

    A Dra Miriam narrava tudo. Dizia “estou tocando o bumbum dela...”, “ela está vindo...”, “falta pouco...”, “bem-vinda, Mariana!”. Mas, ela não chorou. Deve ter demorado uns cinco segundos para chorar. E esse foi o momento de medo mais forte que eu já senti. Esses segundos duraram uma eternidade, mas ela finalmente começou a chorar. Chorar não, ela começou a gritar! Nasceu com pulmões invejáveis – e é assim até hoje. Mas, o pediatra a levou rápido e eu não pude vê-la naquela hora. Fiquei aflita, angustiada, eu queria a minha filha! Cadê a minha filha? Tragam a minha filha!

    Antes que a Dra Miriam terminasse de fechar os pontos da minha cesárea, o pediatra veio com os meus dois pequenininhos: “Parabéns, mamãe. Eles estão ótimos. Estão tão bem que vão para o quarto com você!”

    Havia uma expectativa de precisarem ir para a UTI por serem prematuros. As palavras do médico me deram o céu. Eu transbordava amor e felicidade. E esse amor não para de aumentar. Passei 33 semanas me preparando para dar à luz. No dia 02/07/2007 foram eles que me deram à luz. Eu (re)nasci. Nunca mais serei a mesma: eu sou mãe. Não há nada que me orgulhe mais que ser a mãe do Mateus e da Mariana.

    Me preparei de todas as formas possíveis para garantir aos meus bebês o cuidado, a logística e a estrutura necessária, sabendo que eu precisaria de ajuda para suprir as limitações de movimentos que a minha deficiência me impõe. Mas, desde cedo, sempre soube que ser mãe não se resume no desempenho de tarefas físicas. O importante era que eu garantisse que tudo funcionasse como eu achava que deveria funcionar. Então, enquanto eu amamentava um bebê a babá trocava o outro.

    Eu não conseguia dar banho sozinha, mas acompanhava cada movimento, cuidava da temperatura da água, das roupinhas, dos horários, das brincadeiras, dos estímulos, das consultas médicas, do cardápio, etc. Eles foram crescendo e ganhando independência de movimentos. Na medida em que iam ganhando essa independência, ia aumentando a minha autonomia no cuidado deles.

    Agora eles estão com quase três anos e temos uma vida movimentada, barulhenta, cheia de brincadeiras, alegrias, surpresas, emoções e soluções. Minha cadeira de rodas faz parte do cenário, mas o protagonismo está na nossa relação.

    Eles já sabem que a mãe é cadeirante e começam a compreender as implicações disso. Outro dia vieram me contar que no parque onde sempre vão não tem rampa para chegar no gira-gira. Eu nem estava com eles nessa hora, eles perceberam isso sozinhos e ficaram indignados.

    Como integrante da sua Matrix, Jairo, há tempos compartilho da missão de “dominar o mundo”. Mas, agora essa meta assumiu proporções muito maiores, pois estou falando do mundo em que meus filhos vivem e vão continuar vivendo quando eu não estiver mais aqui. Eu quero um mundo mais feliz. Porque meus filhos não serão felizes se o vizinho não for. Não terão segurança, se o coleguinha não tiver. Não terão oportunidade de aprender com as diferentes descobertas dos amiguinhos da escola, se esta não for inclusiva e aberta para todos.

    Nós temos pressa. É muito bom ver tantas realizações, transformações, conquistas... mas, ainda falta muito. Todas as noites, nós três rezamos juntos:

    “Anjinho da guarda,

    Meu bom amiguinho,

    Me leve sempre

    Pelo bom caminho.”

    ...e agora continuo com você, Jairo:

    Que o caminho seja bom e justo, mas também coletivo. Que não nos falte inspiração, criatividade e energia para avançar um pouco mais a cada dia. Que possamos “dominar o mundo” com gentileza, respeito e amor. Amem.

    Beijos, com carinho e admiração

    Flávia



    Escrito por Flavia Cintra às 17h16
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    Inspiração para melhorar o dia. Adorei!



    Escrito por Flavia Cintra às 16h20
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    As vezes a gente precisa de ajuda. Outras vezes a gente ajuda quem precisa.

    Eu via tudo por um ângulo de baixo para cima. Sentia medo, ansiedade, tristeza e dor. Deitada na maca de uma ambulância da prefeitura de Santos, com minha mãe ao meu lado, cheguei à AACD. A primeira imagem foi de um monte de gente circulando em cadeiras de rodas. Muitos. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos.  Em cima da minha maca de rodinhas, emocional e fisicamente em farrapos, senti pena daquelas pessoas que estavam ali porque nunca mais poderiam andar. “Comigo vai ser diferente” – eu pensava.

    Enfrentávamos uma situação financeira super delicada e minha mãe se preocupava com o custo do tratamento de reabilitação. Depois de uma avaliação socioeconômica criteriosa, recebemos a notícia da gratuidade. Nossa, que alívio!

    Foram 8 meses. Tentativas, lágrimas, exercícios no tablado, novas tentativas, alegrias, aprendizado, cuidado, exercícios na água, terapia com psicóloga, descobertas, desmaios, raiva, medo, exercícios no chão, perguntas esclarecidas e perguntas sem respostas.

    Não havia internet, as informações eram preciosas e restritas a poucos. A AACD era o meu porto seguro. No dia da alta, achei que fosse morrer. Fiquei sem chão, não podia imaginar minha vida sem o cuidado daquelas pessoas.

    Saí de lá de cabeça erguida, tocando minha própria cadeira de rodas, com vontade de voltar a tocar minha própria vida. Já que tanta gente ali acreditava em mim, eu tinha que fazer por merecer. Eu tinha que fazer minha mãe sentir orgulho de mim outra vez. Eu tinha que sentir que minha vida valeria a pena. Rasguei a lista de coisas que não podia mais fazer e comecei a escrever outra: a das possibilidades. Ainda estou escrevendo essa lista e, sempre que a AACD me chama, eu vou lá contar essa história para as pessoas que estão chegando do mesmo jeito que eu cheguei há 18 anos.

    Amanhã e sábado é dia de Teleton. Eu tenho obrigação de ajudar.



    Escrito por Flavia Cintra às 14h21
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    Fragmentos de tinta e de felicidade

    Cada vez que venho aqui, venho disposta a registrar um fragmento de vida, um suspiro de emoção, algum sentimento sincero. Ao mesmo tempo em que tenho vontade de compartilhar isso com algumas pessoas que se interessam em saber o que tenho a dizer, é como se eu também estivesse tentando capturar essas sensações e congelá-las para mim mesma. Escrevo muito mais para mim do que para você. E tenho consciência de que, as vezes, caio no lugar comum. Não me importo. Aliás, durante muito tempo na minha vida, persegui a idéia de ser comum. Comum na minha cadeira de rodas.

    A faxineira estava tentando tirar marquinhas vermelhas das laterais das camas brancas das crianças. São lascas de tinta da minha cadeira. No escuro do quarto, depois que adormecem, as vezes eu erro na manobra e raspo a cadeira na madeira branca. Quando meu filho viu a moça esfregando o pano, disse: “não é para tirar os beijos que a mamãe deu na minha cama!”

    Eu não seria capaz de elaborar metáfora mais precisa que essa.



    Escrito por Flavia Cintra às 20h39
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    Outro daqueles de tirar o fôlego...



    Escrito por Flavia Cintra às 22h08
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    Carta para o futuro

    A Revista Trip publicou cartas endereçadas ao ano de 2020.

    Vale a pena dar uma olhada em http://revistatrip.uol.com.br/revista/193/colaborativa/cartas-para-o-futuro.html.

    A minha está aqui:

    Uma maçã do amor para 2020

                                                                                                                                          Por Flávia Cintra*

     

    Assim como as outras mães paulistanas, eu passei este inverno seco[1] de 2010, lembrando meus filhos de beberem água toda hora e aplicando soro fisiológico em seus narizinhos. Com o umidificador[2] ligado na sala, agora assistimos o DVD[3] da Branca de Neve enquanto eu penso no futuro.

    “Faça um desejo e morda a maçã!” - diz a rainha má, disfarçada de velhinha, à Branca de Neve.

    Com 3 anos, a situação mais injusta que meus filhos já viram foi Branca de Neve mordendo a maçã envenenada. Não conhecem o preconceito e a dor que ele causa. Me angustia pensar que seja inevitável eles provarem desse veneno. Nós merecemos um mundo mais justo[4].

    Hoje, eu mordo esta maçã desejando que em 2020 seja comum uma cadeirante[5] ter filhos, trabalhar em qualquer função ou fazer compras no supermercado. 

     

    * Flávia Cintra tem 37 anos, é jornalista, cadeirante e mãe de gêmeos


    [1] Em agosto/2010, a umidade do ar chegou a 12%.

    [2] Umidificador – Aparelho elétrico que continha um tanque d´água com emissor de ultrassom que liberava vapor e umedecia o ar.

    [3] DVD – Abreviação de Digital Video Disc. Foi criado em 1996 para armazenar arquivos digitais, como filmes, imagens e músicas. Antes dele, existia o CD.

    [4] A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, promulgada em 2007 pela ONU, garante direitos básicos às pessoas com deficiência.

    [5] Fiquei tetraplégica em 1991, após um acidente de carro, quando tinha 18 anos. Fiz reabilitação na AACD e lá me reestruturei física e emocionalmente para começar uma nova vida.

     



    Escrito por Flavia Cintra às 11h32
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    Lindo, lindo, lindo...

    Faz tempo que eu quero postar esse vídeo aqui.

    É uma declaração de amor linda... daquelas que me inspiram nos dias cinzentos.



    Escrito por Flavia Cintra às 16h36
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    Sabedoria infantil



    Escrito por Flavia Cintra às 22h32
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    Minha pequena notável

    - Mamãe, tem doce de tody?

    - O que, filha?

    - Aquele doce que você me deu ontem!

    - Não sei o que é doce de tody. Você quer chocolate, é isso?

    - Hum... não, mamãe... aquele doce diferente...

    - Filha, me explica melhor.

    - Ah... (rindo)... Eu me enganei. É doce de leite! Tem?

     

    Achei isso sensacional. O Tody está diretamente associado ao leite. Técnica de memorização perfeita!



    Escrito por Flavia Cintra às 12h18
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    "Eu não trago um caminho novo. O que eu trago de novo é o jeito de caminhar."

    Essa frase veio na capa do relatório escolar dos meus filhos e me comoveu. É isso. O jeito diferente e particular que cada um trilha o mesmo caminho. Achei lindo.

    E todos os dias vivemos aqui em casa situações que mostram o quanto esse processo é único e precioso. Nessa semana, conversávamos dentro do carro e Mateus soltou uma de suas pérolas intelectuais. Eu, então, perguntei se havia aprendido aquilo na escola. Ele respondeu que não. Perguntei quem havia lhe dito. Ele disse que havia sido ele mesmo. Perguntei “como assim?”. Ele respirou, como quem se esforça para não perder a paciência, e me explicou o seguinte:

    “Mamãe. Eu aprendo muitas coisas PENSANDO. Eu converso com a minha voz dentro da minha cabeça e aí eu aprendo. Entendeu?”

    Entendi.



    Escrito por Flavia Cintra às 12h04
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    Colo de mãe

    Dias desses, eu estava numa reunião e abri a bolsa para pegar uma caneta. Enroscada na bendita, veio uma Poly. Para quem não tem meninas em casa, Polys são mini-bonecas que formam uma coleção     i n t e r m i n á v e l ...

    Cenas como essa são comuns na minha vida porque vivo guardando as coisas que brotam no meu colo o tempo todo no dia-a-dia com as crianças. Eu me distraio e quando me dou conta tenho um caderno, uma pulseira, um aviãozinho, uma boneca, um chinelo, um casaco e mais uma infinidade de itens no meu colo. É o resto de doce, o presente que acabaram de ganhar ou qualquer coisa que não saibam onde guardar. Tudo é depositado direta e automaticamente no meu colo.

    Independente de onde eu esteja com meus filhos, essa situação se repete.  Já estou acostumada e, para falar a verdade, até gosto e me divirto com isso.

    Só que agora eles parecem estar ampliando sua “área de armazenamento”. Outro dia, no elevador, um homem ria enquanto olhava a parte de trás da minha cadeira. Olhei o sujeito fazendo uma expressão de ponto de interrogação. Ele explicou o que estava vendo me fazendo a seguinte pergunta “você também é fã do hot wheels?”. Sim, havia um carrinho estacionado sobre as minhas baterias! O mesmo carrinho que havia “sumido” de manhã. Adivinha onde é o primeiro lugar que se procuram brinquedos desaparecidos na minha casa, desde aquele dia?



    Escrito por Flavia Cintra às 22h17
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    Saudade e reencontros

    Como é bom rever quem amamos...

    Quase morri de chorar vendo esse vídeo.



    Escrito por Flavia Cintra às 10h49
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    O que te silencia?

    Quanto menor é o meu barulho interno, maior é o silencio que preciso para conseguir me ouvir.

    Entre as particularidades de se viver com uma deficiência, está a condição de quase nunca estar sozinha.

    No trabalho, como todo mundo, estou sempre cercada de gente. No carro, minha assistente está ao meu lado dirigindo, enquanto eu geralmente estou retornando recados deixados no meu celular.  O transito ocupa tanto tempo de vida do paulistano que acabamos criando metodologias para dar significado produtivo a esse período passado dentro do carro.

    Em casa, depois que coloco as crianças para dormir e a casa se aquieta, minha assistente está a postos. Ainda que seja adoravelmente discreta e habilidosa em identificar os momentos em que deve se afastar, eu sei que ela está ali a poucos metros. Isso é ótimo. Me sinto segura em poder contar com sua ajuda, assim que precisar. Por outro lado, aquela solidão necessária à reflexão, ao encontro consigo mesmo, não é algo que aconteça naturalmente na minha vida. Se eu quiser ficar sozinha, preciso produzir esses momentos.

    Fui trabalhar uns dias numa ilha. Um lugar geograficamente solitário. O incrível foi só ter me dado conta disso no dia de ir embora. Foi inevitável elaborar uma infinidade de conexões metafóricas entre a minha história, aquele lugar, as coisas que estou vivendo nesse momento, o significado daquele trabalho, os valores individuais e coletivos, o movimento diferente produzido por cada corpo, por cada pensamento em todos os lugares.

    Conheci pessoas que nasceram e jamais saíram dali. Não há a cidade vizinha. Não existe transito. E quase não vi noite. Jantávamos à luz do dia. O entardecer acontecia às 21h30min. Tudo tão longe e tão ao alcance das minhas mãos. Meus filhos, meus amigos, minha família, meu trabalho, todas as coisas que aprendi e todas as que ainda tenho para aprender.

    Me desculpe por esse tempo de ausência. A viagem concreta foi de uma semana, mas internamente durou um mês.



    Escrito por Flavia Cintra às 12h51
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    Ana Laura LINDA!!!



    Escrito por Flavia Cintra às 12h10
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    Estava dormindo ou estava acordado?

    - Que música linda, mamãe... canta outra vez?

    Eu achei que ambos já estivessem dormindo quando ouvi esse pedido. Estavam quietinhos, olhinhos fechados, respiração pesada.

    Adoro fazê-los dormir, velar seu sono e, depois que adormecem, eu sempre rezo e canto uma última música que não pertence ao repertório infantil. Canto para que ouçam dormindo e a "arquivem" como uma declaração de amor. É uma coisa minha... de mãe boba, acabou virando um ritual como tantos que temos. Tenho uma seleção que passa por "Como é grande o meu amor por você" e outras do gênero. Hoje cantei "Eu sei que vou te amar" e no final, Mateus me pediu para repetir.

    - Filho, você ainda está acordado?

    - Não, eu estou dormindo, mas quero ouvir dormindo você cantar outra vez.

    Sem esticar o assunto, cantei de novo, olhando para ele que sorria enquanto dormia...

    "Eu sei que vou te amar
    Por toda a minha vida eu vou te amar
    Em cada despedida eu vou te amar
    Desesperadamente, eu sei que vou te amar
    E cada verso meu será
    Pra te dizer que eu sei que vou te amar
    Por toda minha vida
    Eu sei que vou chorar
    A cada ausência tua eu vou chorar
    Mas cada volta tua há de apagar
    O que esta ausência tua me causou
    Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
    A espera de viver ao lado teu
    Por toda a minha vida"

    Filhos são a melhor coisa da vida.

    Boa noite!



    Escrito por Flavia Cintra às 22h40
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    "Efeito Cinderela" II

    Meu cabelereiro costuma dizer que suas clientes parecem ter duas mãos esquerdas... de tão desajeitadas que são! Para mim que faço parte deste grupo, também me falta tempo e coragem de me aventurar numa tintuta sozinha. Sem contar que meu filho agora virou o narrador oficial da minha vida e um dia desses, enquanto minha ajudante aplicava tonalizante nos meus cabelos, o ouvi dizendo (para o pai!) ao telefone "a mamãe está pintando o cabelo". Ele simplesmente conta tudo o que acontece para todo mundo... privacidade zero! rs.

    Eu ainda estou nos tonalizantes e quando tiver que me render às tinturas (em breve), já sei como fazer. Aprendi fazendo a matéria da semana passada, que me surpreendeu com o número de e mails que chegaram pedindo que se fale mais sobre o assunto. E vieram mensagens de homens também, pedindo para falarmos sobre os cabelos deles, acredita?



    Escrito por Flavia Cintra às 21h52
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    "Efeito Cinderela"

    Estou encantada com o poder da maquiagem. Sei que aos 37 anos, já passei da fase de descobrir o tom de blush que combina mais com a minha pele, a sombra que faz mais efeito ou a melhor textura de uma base. Só que eu pulei essa fase e nunca me apaixonei pelos cosméticos. Sou do tipo que está sempre de cara lavada e usa, no máximo, um lápis com rímel nos olhos e um batom discreto. E olhe lá... isso em ocasiões especiais!

    Agora, neste novo trabalho, precisei começar a usar um pó para a pele não brilhar no vídeo e, aos poucos, vou ganhando um pouco de intimidade com esse mundo de tons e texturas. Confesso que estava achando tudo muito chato. Mudei de idéia no dia que passei a noite em claro cuidando dos meus pequenos que estavam com virose e tomei um susto quando me olhei  de manhã. Não dava para sair para trabalhar com aquela cara! Dez minutos de aplicações mágicas na frente do espelho me deram a aparência de quem tinha dormido dez horas... inacreditável!

    Continuo achando que o legal é a maquiagem que faz parecer que a pessoa nem está maquiada. Agora eu quero aprender mais.



    Escrito por Flavia Cintra às 23h12
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    Meus MMs fazem 3 anos hoje!

     

    Sou um balão humano inflado de amor e felicidade.



    Escrito por Flavia Cintra às 22h08
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    Atchim!

    Mateus começou a semana resfriado. Quando ele estava praticamente recuperado, Mariana começou espirrar. Qualquer coisa que os incomoda me tira o sossego e meu primeiro pensamento é "preferia que fosse comigo". Gotinhas de homeopatia, mel, inalação, DVDs novos e muito chamego foram suficientes para atravessar a semana sem traumas. Nessas horas eles só querem a mamãe e eu também só quero ficar com eles.

    Acho que seria mais justo se o mundo desse uma trégua às mães nessas situações. Mas, a vida continua igual: é o telefone que não para de tocar, são os compromissos importantes que tenho que cumprir, é a última lata de leite que foi aberta e precisa ser reposta, a empregada que faltou, a reunião que não posso atrasar, a entrevista marcada que tenho que fazer, o prazo do relatório que tenho que entregar, o almoço que precisa estar pronto na hora e a repetitiva pergunta de todos os dias “o que vamos fazer para o jantar?”.  Tudo isso intercalado por surpresas de amigos queridos que ligam e eu interrompo a conversa, dizendo “peraí que eu vou apagar o forno!”.  Ou a concentração que perco no texto quando uma pessoinha bem pequenininha vem me mostrar o lindo desenho que fez para mim. Que delícia.

    Ontem acordei bem cedinho e fui para a redação do Fantástico para finalizar minha matéria dessa semana. Voltei para casa a tempo de levar as crianças para passear no parque e curtir o sábado ensolarado, mas já estava sentindo a garganta arranhar e o corpo doer. Bingo! Minha vez de ficar resfriada. Pensei “ainda bem que foi no final de semana, pois tenho mais tempo de descansar!”

    Ao final do passeio, encontrei um velho amigo que me perguntou se eu estava indo à academia. Fiquei olhando para ele, sem fala. Qualquer coisa que eu dissesse não o convenceria do quanto a proposta dele era inviável. Acabei respondendo que não vou porque tenho preguiça. Mas, o que me deu preguiça mesmo foi explicar.



    Escrito por Flavia Cintra às 12h30
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    Oi!

    Por Patricia Almeida – Equipe Inclusive http://www.inclusive.org.br

    A Oi preparou um comercial em que a criança que aparece no final dizendo ” Oi”, marca registrada das campanhas da operadora, é a Iara, uma menina com síndrome de Down.

    Nada de mais, podem pensar alguns. Mas por trás desta imagem existe uma articulação do Instituto MetaSocial, que atua há mais de 16 anos no Brasil na direção de uma sociedade para todos. Usando os meios de comunicação, o MetaSocial procura formas de induzir no inconsciente coletivo a noção de que “Ser Diferente é Normal”, ou seja, todos são diferentes. Mas que a diferença não deve impedir ninguém de ter os mesmos direitos.

    O anúncio da Oi é mais um esforço da chamada publicidade inclusiva, iniciativas de ação afirmativa dentro da propaganda visando trazer a diversidade para uma área que sempre se caracterizou pelas imagens padronizadas do belo e do perfeito.

    Com certeza a menina Iara, com sua graça e alegria, naqueles poucos segundos no final do filme, sem chamar a atenção nem fazer alarde, consegue levar muito longe a mensagem de que ela, e qualquer pessoa, pode e deve estar em todos os lugares. Até o dia em que isso aconteça de forma natural.
    Parabéns a Oi e a Agência NBS por seu pioneirismo.



    Escrito por Flavia Cintra às 11h33
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    Esperança

    “A esperança é como uma plantinha delicada que todo ser humano cultiva no seu jardim interior. Temporais, vendavais, secas, pragas e gafanhotos sempre ameaçarão sua integridade. Ainda que seja destruída numa noite escura, fria e sombria, ao raiar do sol, ela renascerá”. (Walter Sasso)

    http://lapsoevirgula.blogspot.com



    Escrito por Flavia Cintra às 12h30
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    i n a c r e d i t á v e l

    - Mamãe, você vai trabalhar hoje?

    - Sim, filho, eu vou mais tarde.

    - Onde você vai?

    - Vou numa reunião.

    - Onde é a reunião, mamãe?

    - É na Berrini, filho.

    - Mamãe, onde é a Berrini?

    - A Berrini é uma rua em São Paulo.

    - Onde é São Paulo?

    - É aqui, filho... São Paulo é a nossa cidade.

    - Então, você não vai mais sair. A sua reunião é aqui!



    Escrito por Flavia Cintra às 18h25
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    Santa sinceridade

    (Mariana) Mamãe, hoje, antes de você chegar, o Mateus jogou a bola na minha cabeça!

    (Eu) Filha, foi sem querer... não foi, Mateus?

    (Mateus) Não, mamãe. Não foi sem querer. Eu joguei porque eu quis.

    ...



    Escrito por Flavia Cintra às 22h11
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    A origem do Dia dos Namorados

    Já que falei, do meu jeito, de futebol... resolvi não ignorar o Dias dos Namorados.

    O padre Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.Além de continuar celebrando casamentos, ele casou-se secretamente, apesar da proibição do imperador. Tendo se recusado a renunciar ao Cristianismo, Valentim foi condenado à morte. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão.

    Antes de partir, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado”. Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera de lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e de Pã (deus da natureza).  Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim. Adata foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o Valantine´s Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada.

    No Brasil, é comemorado em 12 de junho desde 1949, quando o publicitário João Dória trouxe a idéia do exterior e a apresentou aos comerciantes. Como junho é um mês de vendas baixas, eles decidiram comemorar a data nesse mês e ainda escolheram a véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro como o Dia dos Namorados. Vale mais a pena esquecer a origem comercial e ficar com o significado afetivo do dia. E se voce quer se emocionar com lindas histórias de amor, não deixe de visitar o http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br. Nessa semana, o Jairo nos emociona com histórias de amor do mundo real, simples, sinceras e sem limites – como é o verdadeiro amor.



    Escrito por Flavia Cintra às 21h31
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    Feel the game

    Só se fala em Dia dos Namorados e em Copa do Mundo!

    Como meu lado romântico tem sido alimentado por muitas caixas de BIS e não entendo nada de futebol, vai ficar difícil mergulhar nos assuntos do momento. Porém, nesse vídeo eu encontrei um ponto de inspiração e emoção, na paixão que Nick Vujicic sente pelo futebol e pela vida. Aproveite!



    Escrito por Flavia Cintra às 12h50
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    3a primavera

    Adoro dar presentes, elogiar, fazer coisas para os outros. Mais que receber. Alias, quando recebo, geralmente não sei reagir, fico sem graça. Por dentro, me sinto grata, só que tenho dificuldade de expressar. Meu prazer está em fazer para o outro. E curto todos os momentos. A alegria da festa começa no momento em que se decide fazê-la, se estica durante os preparativos e termina só semanas depois, vendo as fotos e lembrando de cada instante.

    Mateus e Mariana vão completar 3 anos. Temos muito para comemorar e agradecer. Eu me sinto a pessoa mais sortuda do mundo por ser mãe deles e crescer em cada nova brincadeira, cada pergunta, cada descoberta, cada risada, cada desafio superado pelos meus pequenos. Me impressiono a toda hora com as coisas que eles fazem, vendo que não são mais bebês... passou tão rápido! Outro dia saímos para jantar. Fiquei encantada com o comportamento exemplar da dupla à mesa, pedindo “por favor” e agradecendo o garçon, comendo sozinhos e de garfo, participando da conversa com comentários inteligentes e engraçados. Não é apenas coisa de mãe coruja (eu assumo que sou!), todo mundo reparava!

    O 3º ano, segundo a pediatra, marca a passagem de” bebê” para “criança”. Já fazem xixi no banheiro, tomam leite no copo. A mamadeira, assim como a chupeta, ainda está presente de noite, mas em breve... nem isso. Também estão prontos para deixar de dormir nos berços e terem camas comuns. Estou pesquisando as grades de segurança e descobri que existem tantos modelos que é impossível escolher pela internet. Vou ter mesmo que visitar algumas lojas. Mãos à obra!



    Escrito por Flavia Cintra às 11h42
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    Friiiiiio...

    Essa foi a matéria exibida no último domingo. O assunto está tão atual que ela ainda vale para essa semana! Temos tido um dia mais gelado que o outro, que horror! A parte boa é que o frio que eu passei semana passada para fazer essas entrevistas me deu créditos para trabalhar quentinha nessa semana.

    Com a Copa do Mundo, boa parte do programa passa a ser ocupada pelo futebol. Como até hoje eu não entendi direito nem essa história de gol impedido, poderei contribuir pouco. Eu e os demais jornalistas que não estão focados na Copa, não estaremos presentes no programa todos os domingos. Será ótimo aproveitar essa fase para trabalhar em reportagens que não conseguimos fazer na rotina semanal. Isso me deixou muito entusiasmada. E também terei mais tempo para interagir aqui no blog. Bacana, né? 



    Escrito por Flavia Cintra às 10h47
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    Tô viva!

    Mas, congelando nesse frio polar de São Paulo.

    Prometo me esforçar para ser mais assídua nessa semana.

    Vocês viram a coluna do Jairo na Folha de hoje? Arrasou, como sempre...



    Escrito por Flavia Cintra às 22h35
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    Dietas

    Vai aqui a matéria que fiz domingo passado sobre dietas malucas.

    Me diverti muito entrevistando os médicos e me impressionei com o número de pessoas que se submetem a loucuras na tentativa de emagrecer, comprometendo a saúde e sem atingir o objetivo.

    A dica que vale não é novidade para ninguem: Alimentação equilibrada e atividade física, não tem outro jeito.



    Escrito por Flavia Cintra às 14h27
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    ...que frio!

    Hoje eu entrevistei um médico e descobri que:

    1) Pessoas longilíneas sentem mais frio – eu sou longilínea.

    2) Pessoas magras sentem mais frio – eu sou magra.

    3) Cadeirantes sentem mais frio – eu sou cadeirante.

    4) Mulheres na TPM são mais sensíveis ao frio – eu estou na TPM.

    5) Essa é semana mais fria do ano.

    Resumo da ópera: Eu sou um pingüim.



    Escrito por Flavia Cintra às 18h33
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    Mulheres multifuncionais

    Me desculpe pela ausência dos últimos dias. Se o Sérgio passou por aqui, deve ter pensado “ela voltou a ser uma blogueira bissexta”. Não é isso, mas o ritmo de trabalho apertou um pouquinho e, nessas situações, acabo dedicando o tempo que tenho para as crianças. O resto fica para depois! Quem é mãe, eu sei que consegue me entender.

    O dinheiro mais caro de ganhar, o trabalho mais difícil, o dia mais longo que vivo é o que preciso passar longe dos meus pequenos. Tenho pensado muito sobre isso e observado a dinâmica de vida das mulheres que conheço. Todas gostariam que os dias fossem mais longos e, na impossibilidade de esticar os minutos, se desdobram em muitas para dar conta do recado.

    No último domingo, a Renata Cafardo, minha colega lá do Fantástico, entrevistou mulheres que acumulam os papeis de mãe, profissional, esposa, etc e que estão à beira de um ataque de nervos. Uma pesquisa feita em São Paulo mostra que muitas estão sem clima em casa. Quase 30% delas responderam que os problemas domésticos são o maior motivo de estresse. Em segundo lugar, ficou a questão do dinheiro. E em terceiro, o trabalho. 

    Eu não me sinto estressada. Tem dias em que estou muito acelerada, mas ainda nesses dias eu acho que consigo me localizar em cada momento e conduzir a rotina com certa tranqüilidade. Não que seja fácil, mas eu valorizo tanto cada um dos setores da minha vida que me recuso a reclamar que eles sejam muitos. Há algum tempo, me lembro de ter escrito aqui que o meu maior problema é ter tantas coisas boas na minha vida que me falta tempo para todas. Essas reflexões sobre o tempo são recorrentes na nossa vida. Hoje em dia, me angustio menos e me estresso raramente. Parece que a prática dos anos está me ajudando a lidar melhor com a culpa que sempre apita para denunciar minhas dívidas com os amigos, com projetos parados, com o armário que precisa ser arrumado, com o exercício que não fiz.

    É bom verificar que o tempo não trás só cabelos brancos. Para mim, ele vem aplacando a ansiedade de antes e me dando mais segurança para ser quem sou. Com todas as implicações, interfaces e desdobramentos inevitáveis à vida de quem insiste em ser muitas.



    Escrito por Flavia Cintra às 11h12
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    Ainda tem dúvidas sobre mamadeiras?

    Aquela matéria deu o que falar. Então, o Canal F resumiu alguns importantes esclarecimentos sobre o assunto e aproveitou para contar minha história de "namoro" com o Fantástico. Deu no que deu... rs.

    Para o próximo domingo, estou trabalhando numa matéria sobre dietas de emagrecimento. Logo eu que passo a vida tentando engordar 3 kg! rs



    Escrito por Flavia Cintra às 23h42
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    Bacaluki!

    Este é o novo item do dialeto infantil praticado na minha casa. Desde pequenininhos eles criam esse tipo de palavra e o interessante é que, somente para os dois, elas tem significado. Algumas vezes eu consigo entender o sentido observando as ocasiões em que a expressão é usada, mas tem as nunca consigo decifrar. Se alguém pergunta a eles o que significa tal palavra, eles se olham e começam a rir. Ou seja, é um código secreto mesmo.

    “Bacaluki” parece ser uma espécie de grito de guerra em que um motiva o outro a iniciar uma determinada brincadeira. Só sei que quando tudo transcorre na santa paz em casa, alguém solta um “Bacaluki” e começa a correria, a gritaria e a série de gargalhadas. É muito engraçado porque acontece do nada e o efeito é de uma euforia irresistível que contagia qualquer um que estiver por perto.

    Boa semana, com muito “Bacaluki” para todos nós!



    Escrito por Flavia Cintra às 23h02
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    Seu filho não come?

    Nessa semana, mostramos no Fantástico o tormento enfrentado por muitas mães na hora das refeições.

    Reunimos dicas importantes que podem ajudar a reverter a situação:

    Graças a Deus, meus filhos comem normalmente e não me dão tanto trabalho quanto nossos pequenos entrevistados, mas eu fiz a torta Verdureba aqui em casa e foi o maior sucesso!

    A receita está em http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1594940-15605,00.html



    Escrito por Flavia Cintra às 21h39
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    Gente, o gato foi embora!

    Comeu, dormiu, brincou, comeu mais e sumiu...

    As crianças ficaram chateadas, esperando que ele voltasse. Mas, até agora, nada.

    Conversamos bastante sobre o assunto, tentei explicar que ele é livre e preferiu passear e brincar com outros gatos. Aos poucos, eles compreenderam e aceitaram. Mas, me doeu ver a decepção nos olhos dos meus pequenos.

    Difícil lidar com frustração de filho, né? A gente quer trocar de lugar, sentir por eles qualquer dor, mas eles precisam saber que a vida também trás dissabores e é importante aprender a lidar com isso. Sei que nessas horas o meu papel é acolher, dar significado, explicar o que aconteceu e elaborar com eles os sentimentos de cada momento, mas se eu pudesse evitar que eles sofressem... ah, se eu pudesse...

    Talvez o gato volte, talvez não. Não saber o que vai acontecer foi outro ponto importante da nossa conversa quando eles perguntaram se o gatinho nos visitaria novamente. Quando vi, estávamos numa discussão filosófica sobre a existência, o tempo, as escolhas que fazemos durante a vida e a aceitação das escolhas do outro. Tudo isso por causa do bendito gato.



    Escrito por Flavia Cintra às 16h52
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    E agora, José?

    Saí hoje a tarde para fazer a entrevista que ainda faltava para a minha matéria dessa semana. Quando cheguei em casa, tive a surpresa de encontrar uma visita impensável. Um gato! Magro, pequeno e faminto.

    Mateus e Mariana encantados com o bichano, falavam ao mesmo tempo e sem parar: “Mamãe, ele pode morar com a gente! Ele não tem casa! Ele precisa de carinho, mamãe! Ele está com fome! ”. Chorão

    Nunca tive afinidade com felinos. Gosto muito de cachorros e pretendia adotar um em breve. Mas, o gatinho chegou e ficou. Conquistou meus pequenos.

    E agora... eu não sei nada sobre gatos! Dei dinheiro e eles foram com a babá comprar ração. Voltaram com um prato também.

    Vamos ver como fica essa situação... tinha que ser logo um gato? Com vergonha



    Escrito por Flavia Cintra às 17h29
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    Canção de qualquer mãe - Lya Luft

    "Filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei
    ou mereci ou imaginei ter"

    Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante.

    Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.

    Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.

    Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo. Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí. Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim. Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.

    Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.



    Escrito por Flavia Cintra às 12h43
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    Perigos do Bisfenol A

    Muitas mamães, como eu, ficaram preocupadas com a notícia de que o Bisfenol A, utilizado no processo de endurecimento do plástico pode causar doenças nas nossas crianças.

    A principal dica, além de amamentar o bebê durante o maior período possível, é evitar aquecer o leite e os alimentos em recipientes plásticos porque o calor potencializa o desprendimento do BPA. Não é motivo para pânico, mas um alerta importante para nós - mães - que queremos fazer o melhor para os nossos filhos.

    Para quem não pode assistir a matéria, tá aqui: 

    Como vocês sabem, essa foi a minha "estréia" no show da vida. Ainda vou melhorar, ganhar desenvoltura, aprender a conduzir melhor. Estou muito feliz com todas as mensagens de carinho, apoio e incentivo. Nem sei o que dizer para agradecer, vocês me empurram para a frente, obrigada!

     Espero poder levar ao público outras informações relevantes e, ao mesmo tempo, contribuir com novas conquistas para as pessoas com deficiência.

    Domingo que vem tem mais!



    Escrito por Flavia Cintra às 11h31
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    Bendito mês de maio

    Ave Maria!

    Comemorei meu 3º dias das mães. Sim, porque o 1º foi quando eles ainda estavam na minha barriga.

    Encerrei minha contribuição na novela que mostrou de um jeito lindo que uma mulher cadeirante pode ter inúmeras realizações, inclusive ser mãe.

    E agora inauguro uma nova fase ainda mais desafiadora: contribuir como repórter do Fantástico.

    Tem gente dizendo que vou apresentar um quadro no programa, mas não é isso. Não ocuparei um lugar diferente de uma repórter, pois é isso que eu sou: uma repórter. Nem mais e nem menos, ok? E é exatamente isso que me entusiasma nesse trabalho, vocês entendem?

    Minha 1ª matéria vai ao ar hoje, 16 de maio. Se enganou quem apostou que vou apresentar uma pauta sobre pessoas com deficiência. Vou falar de um assunto de grande interesse das mamães e de todas as pessoas preocupadas com a saúde das nossas crianças.

    Espero que gostem.



    Escrito por Flavia Cintra às 23h36
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    VIVER mais A VIDA

    Queridos,

    Muito obrigada por tantas palavras de carinho e incentivo. Me despedir deste trabalho tem sido uma emoção atrás da outra. Para mim, a novela passou muito rápido. Ao mesmo tempo, durou uma eternidade. Termino “Viver a Vida” revigorada, otimista e confiante que nossas conquistas são cada vez mais possíveis rumo a uma sociedade mais justa. Esse é o resultado de um trabalho coletivo, do qual tenho orgulho de fazer parte.

    Um esclarecimento: O Maneco deu de presente à Aline Moraes e Mateus Solano a escolha dos nomes dos gêmeos de Luciana e Miguel. E ambos, generosos como são, nos presentearam com a surpresa de dar meu nome à menininha e o de Manoel (Carlos) ao menininho. Não foi o Maneco que se auto-homenageou. Ele foi sim homenageado pelos atores. E eu ganhei uma carona nesse carinho todo! Só soubemos disso na hora H... vocês podem imaginar nossa emoção.

    Deixo aqui minha enorme gratidão por todas as palavras de carinho que vocês me enviaram.

    Me desculpem por não conseguir responder todas as mensagens. Vocês me inspiram e me motivam a melhorar.

    A novela terminou, mas nosso trabalho ainda não chegou nem na metade. E, ...bora VIVER A VIDA porque é isso que vale à pena.

    Um beijo e até breve!

     



    Escrito por Flavia Cintra às 21h20
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    Viver a Vida - 13 de maio



    Escrito por Flavia Cintra às 11h37
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    Here comes the sun!

    Música com o astral de hoje... It´s all rigth.



    Escrito por Flavia Cintra às 16h31
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    Emoções superlativas

    Acho que tenho que falar sobre isso aqui. Estou recebendo um monte de e mails perguntando se é verdade a história do Fantástico. Sim, minha gente... é verdade!

    Como? Não sei. Quando? Não sei.

    As coisas mais importantes da minha vida sempre acontecem por causa de um acidente. Amanheci pensando nisso hoje. Os encontros mais significativos, as descobertas mais emocionantes, as principais transformações que vivi... sempre se iniciam num acidente. Acidentes de percurso, biológicos, de transito, de palavras. Fiquei tetraplégica num acidente de carro, fiquei grávida de gêmeos num acidente hormonal, conheci o diretor do Fantástico em um acidente de palavras.

    Eu vinha pensando muito sobre o final da novela e as possíveis conduções para ao tema depois de toda visibilidade gerada pela Luciana. Levamos a pauta da inclusão para a superfície das discussões sociais, despertamos o interesse de quem nunca havia pensado no assunto e fortalecemos a imagem positiva de quem vive numa cadeira de rodas. Tudo isso não pode simplesmente cair no esquecimento com o final da novela. Então, fui convidada para participar daquela reportagem da Renata Ceribelli no inicio de março, lembram? Foi naquele momento que tudo começou. Falei sobre minha preocupação com a produtora e, por acidente, as coisas foram evoluindo até o ponto do diretor me propor um lugar como repórter no programa.

    Não vou contar detalhes aqui porque a história inteira estará na Folha desse domingo e será muito mais bacana vocês lerem lá. Hoje eu só vim confirmar que é verdade a boataria, estou trabalhando no Fantástico.

    Como me sinto? Em superlativos de felicidade, insegurança, entusiasmo, medo, ansiedade, esperança, gratidão, curiosidade, emoção...

    Não sei quando minha primeira matéria irá ao ar, mas pode ser a qualquer momento a partir deste domingo. Torçam por mim!



    Escrito por Flavia Cintra às 10h56
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    Imperdível



    Escrito por Flavia Cintra às 11h18
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    Obrigada!

    Não vou conseguir escrever individualmente, como eu gostaria (e deveria porque voces merecem) a todas as pessoas queridas conhecidas e desconhecidas, próximas e distantes, que me enviaram tantas mensagens maravilhosas ao longo de todo dia. Muito obrigada por tanto carinho expressado nessas letrinhas que significam tanto para mim.

    Obrigada, Jairo e sua matrix frequentadora do http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/arch2010-05-01_2010-05-31.html que me dedicaram o post de hoje, o último da linda série sobre as semana das mães.

    Obrigada, dona Carmem, minha mãe, quem me ensinou tudo o que eu sei e a quem pergunto as coisas que eu ainda não sei.

    Obrigada, muito obrigada, Mateus e Mariana, por me proporcionarem viver a experiência mais maravilhosa da minha vida e o amor mais profundo que alguém pode sentir.

    FELIZ DIA (noite) DAS MÃES! 

     



    Escrito por Flavia Cintra às 22h45
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    O anti-herói

    Estávamos num parque e presenciamos uma cena muito feia. Havia um espaço com personagens desenhados em painéis, onde as crianças podem encaixar o rostinho num buraco que fica na altura da cabeça de cada desenho para, então, tirarem fotos. Tinha uma porção de opções e escolher o personagem de cada um já fazia parte da diversão. Mateus escolheu um gatinho e Mariana escolheu a Lola.

    Na fila, aguardavamos nossa vez no meio da algazarra da criançada. Vimos que um menino de uns 6 anos, na hora H de ser fotografado, ficou envergonhado com tantas crianças que olhavam para ele, todas esperando para tirar a foto. Ele desistiu e abraçou as pernas da mãe, tentando se esconder de tanta vergonha. Foi nessa hora que o pai teve um surto de raiva: “É por isso que não dá para sair com você! Você estraga o passeio sempre... você parece um jeca tatu... ” Aos gritos, humilhou e expôs o menino que, claro, correu dali chorando. A mãe, em silencio, foi atrás do filho para consolá-lo e aí eu me vi diante daquele homem.

    Eu devia estar fulminando o sujeito com meu olhar, mas me controlando para não abrir a boca. Ele me olhou, buscando cumplicidade, disse com um sorriso amarelo: “as vezes a gente perde a paciência, né?”. Respirei fundo e respondi “foi VOCÊ que estragou o passeio”. E Mariana completou “ele só ficou com vergonha, por que você ficou bravo?”.

    Vocês acreditam que a minha menininha, do alto do seu 1m de altura, deu essa lição de moral naquele marmanjo ignorante???

    O homem tentou dar uma de bem humorado dizendo que nós éramos duas contra um e foi embora.

    Chegou a nossa vez e... adivinhem! Mateus ficou com vergonha.

    - “Você não vai ficar brava, não é... mamãe!”

    - “Não, filho. Claro que não.”

    É complicado porque as crianças vêem os pais como heróis. Foi dificil para eles assistir um homem humilhando o próprio filho por uma besteira... Mariana rebateu na mesma hora e Mateus me testou para confirmar que somos diferentes.

    Esse é o mundo que temos para viver. Ou melhoramos, assumindo uma cultura de paz... Ou vai chegar uma hora que tanta violência tornará a vida inviável. E vejo nessas pequenas situações exemplos de como se forma um adulto agressivo e cruel.

    Meus filhos já entenderam muito disso e são solidários quando presenciam cenas como a do parque.

    Morro de orgulho dos meus pequenos . Eles são o meu centro, a minha continuação e o meu começo.



    Escrito por Flavia Cintra às 15h13
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    "Eu posso tudo com um sorriso no rosto"

    Esse vídeo foi postado hoje no http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/, pelo Jairo, de quem sou leitora assídua e fã.

    Achei tão lindo que não resisti em colocá-lo aqui também para vocês.



    Escrito por Flavia Cintra às 12h01
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    Amor e humor

    Eu terminava de me arrumar, enquanto Mateus me observava atento.

    - Mamãe, você está linda.

    - Filho, quando você fala assim, eu me derreto toda...

    Depois de dar uma gargalhada, ele solta essa:

    - Você não é de gelo, mamãe!   



    Escrito por Flavia Cintra às 10h57
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    Papo cabeça

    - Mamãe, por que você não anda de pé?

    Eu sempre respondo a verdade para os meus filhos e eles sabem disso. Encarei aquele par de olhinhos amendoados bem abertos, atentos, esperando minha resposta e vi que estávamos iniciando um diálogo muito importante.  Respirei e respondi:

    - Filha, por que a mamãe anda de cadeira de rodas. A mamãe é diferente...

    E ela me interrompeu:

    - Eu já sei que você é diferente, mamãe! E tem aquelas outras pessoas que também são diferentes. Mas, por que?

    Entendi, então, o que ela queria saber. Fiquei surpresa porque eu achava que teríamos essa conversa daqui uns 2 anos. Segui a lógica de falar a verdade, simplificando as informações para facilitar a compreensão. Contei que tive o acidente, que por isso eu só ando na cadeira e dei todos os detalhes que ela pediu. Então, satisfeita, ela disse:

    - Ah, bom. Agora eu entendi.

    E saiu correndo. Fiquei parada, pensando no que tinha acabado de acontecer. Ouvi Mariana chegando no quintal e dizendo para Mateus:

    - Ela não anda de pé mesmo.

    - Eu sabia.  

    - Ah... Que cheiro é esse?

    - É o meu pum.

    - Mamãe, o Mateus quer fazer cocô!

    - Não quero não, mamãe. Foi só um pum. Quando eu quiser, eu aviso, Mariana!



    Escrito por Flavia Cintra às 20h03
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    Outra da Lya Luft

    O verdadeiro amigo nos aguenta e nos chama, nos dá impulso e abrigo, e nos faz ser melhores:

    Como o verdadeiro amor.



    Escrito por Flavia Cintra às 15h08
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    Amo esse barulho!

    Barulho de conversa fininha

    Barulho de correria pela casa

    Barulho de brinquedos musicais

    Barulho de xixi caindo no pinico

    Barulho de risada

    Barulho de velotrol

    Barulho de gritaria das brincadeiras

    Barulho de boneca que fala

    Barulho de sirene de carrinho

    Barulho de desenho animado na tv

    Barulho de choro, de comemoração, de espremedor de frutas fazendo o suco da hora do almoço.

    E o barulhinho da respiração pesada deles, dormindo, exaustos depois de fazer tanto barulho o dia todo.



    Escrito por Flavia Cintra às 14h19
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    Dedicação total a você!

    Gente,

    Não foi ilusão de ótica. O comercial LINDO que falei ontem é este aqui. Vejam se não concordam...



    Escrito por Flavia Cintra às 23h36
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    ...mais esperança

    Estou emocionada.

    A TV ligada aqui no meu quarto e a música me chamou atenção. Quando olhei, vi um clipe de mães cercadas de seus filhos em um comercial temático para o dia da mães. Entre as mães, há uma cadeirante com seus filhos no colo! Acho que eram dois. Estou aqui de plantão para ver se passa de novo, quero assistir com atenção. Ainda não tem nada no youtube, que desespero!

    Nem acredito, o mundo está mudando... viva a Luciana!



    Escrito por Flavia Cintra às 22h13
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    ...mais palavras

    Fico encantada com a fluência das minhas crianças. Eles argumentam, justificam, defendem um ao outro, elaboram pensamentos em frases complexas, nos tempos verbais certinhos.

    É interessante ver como se apropriam de regras gramaticais e aplicam seu uso intuitivo na prática. O “eu sabio” é um exemplo genial disso. Se para fazer é “eu faço”, se para brincar é “eu brinco”, então... para saber é “eu sabio”! É essa a lógica deles que ainda não incorporaram os verbos irregulares no vocabulário. Acho a coisa mais linda do mundo ouvir um “eu sabio”.

     



    Escrito por Flavia Cintra às 14h12
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    Esperança e palavras

    "Como a maior parte das pessoas, lutei numa vida de trabalho e decência, e usei as únicas armas que sei manejar: A esperança e as palavras."



    Escrito por Flavia Cintra às 18h22
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    Afinidade (para o Rui)

    (Artur da Tavora)

    A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
    O mais independente.

    Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
    Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
    Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

    É uma vitória do adivinhado sobre o real. o subjetivo sobre o objetivo.
    Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
    Ter afinidade é muito raro.

    Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
    O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

    Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
    É ficar conversando sem trocar palavra. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

    Afinidade é sentir com.
    Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
    Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
    Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

    Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
    É olhar e perceber.
    É mais calar do que falar.
    Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

    Afinidade é jamais sentir por.
    Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
    Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
    Compreende sem ocupar o lugar do outro.
    Aceita para poder questionar.
    Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

    Só entra em relação rica e saudável com o outro, quem aceita para poder questionar.
    Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar, não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
    E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
    Isso é afinidade.

    Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
    Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
    Questionamento de não afins, eis a guerra.

    A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
    Independente dele. A quilômetros de distância.
    Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
    Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
    Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.

    Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintomas com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com amores latentes, com irmãos do não vivido?

    A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa do tempo para existir.
    Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade!
    No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação exatamente do ponto em que parou.
    Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.

    Por prescindir do tempo e ser a ele superior, a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
    Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós, para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
    Sensível é a afinidade.
    É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
    Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau, porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

    Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir restituir o clima afetivo de antes, é alguém com quem a afinidade foi temporária.
    E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
    Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta, ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
    A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
    A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas, plantios de resultado diverso.

    Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças, é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quantos das impossibilidades vividas.
    Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação.
    Porque tempo e separação nunca existiram.
    Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
    E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.



    Escrito por Flavia Cintra às 20h05
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    Maricota

    Ainda sinto um gosto amargo porque os assuntos que tratei no post de ontem continuam me martelando a cabeça.

    Mas, a vida segue e meus pequenos não me deixam ficar triste por muito tempo.

    Hoje cedo, Mariana veio em “alta velocidade” me mostrar que faz seu velotrol cor-de-rosa se transformar numa cadeira de rodas.

    “Olha, mamãe, ficou igual a sua!”. Ela sentou nele ao contrário, com as pernas viradas para o lado de trás, e assim as duas rodas traseiras ficaram para a frente. Sabe que ficou parecido mesmo com uma cadeira de rodas? E o mais engraçado foi ela me imitando para “empurrar a cadeira”, girando as rodas com as mãozinhas. Não é muito fofa?



    Escrito por Flavia Cintra às 18h53
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    Haja entusiasmo!!!

    No último domingo, enquanto estacionava seu carro na frente de uma loja, um homem viu outro motorista estacionando numa vaga reservada para pessoas com deficiência. Aquele homem, que tem uma filha cadeirante, deve ter ficado indignado ao ver que a pessoa não tinha nenhuma deficiência. Eu e todos os meus amigos cadeirantes podemos imaginar o que ele sentiu, pois é duro você precisar parar o carro e não ter uma vaga com espaço para passar para a cadeira porque alguém resolveu usar um lugar que é seu.  O homem foi chamar a atenção do outro e deve ter dito alguma coisa parecida com o que eu sempre falo nesse tipo de situação.  Esse homem foi espancado, precisou ser internado e passar por uma cirurgia. A recuperação será lenta e dolorida.

    Fiquei o dia todo pensando nisso, tentando entender o que se passa na cabeça de um sujeito desses. O assunto bombou no Twitter, no Facebook, no Orkut, nas listas de discussão... todos estão perplexos. Eu me senti um pouco responsável, pois costumo tocar nessa questão nas minhas palestras e peço ajuda das pessoas para orientar o uso correto das vagas reservadas. Não há fiscalização e a única coisa que podemos fazer é assumir esse papel. Pois é, agora eu fico sabendo que um homem que fez isso quase morreu! O que vamos fazer?

    Estou com vergonha. Como é que eu vou explicar isso para os meus filhos quando eles crescerem? Acontecimentos dessa natureza precisam acabar.  Essa criatura precisa ser presa, não por vingança, mas por que esse tipo de comportamento violento e covarde não pode se manter impune no ano 2010. Vou acompanhar o caso na esperança de voltar aqui outro dia para contar que o pai da cadeirante está bem e que o brucutu está pagando pelo que fez.

    Há poucos dias, em Campo Grande – MS, uma professora cega passou em 1º lugar em um concurso público, mas foi impedida de assumir o cargo. O prefeito disse que ela não tinha condições de ensinar. Como assim????

    Dias melhores virão...



    Escrito por Flavia Cintra às 02h29
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    Aprendi com o Fabiano...

    A palavra entusiasmo, de origem grega, significa "ter um deus dentro de si".

    Os gregos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. A pessoa entusiasmada era aquela que era possuída por um dos deuses e por causa disso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Assim, se você fosse entusiasmado por Ceres (deusa da agricultura) você seria capaz de fazer acontecer a melhor colheita, e assim por diante. Segundo os gregos, só pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano. Era preciso, portanto, entusiasmar-se.

    Adorei.



    Escrito por Flavia Cintra às 01h27
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    O grande encontro

    Quem costuma vir aqui já está careca de saber que sou fã do Jairo. Para quem está chegando agora e, por acaso, ainda não sabe de quem estou falando é só acessar http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/ para ver o que está perdendo.

    Acontece que nesse sábado haverá um encontro IMPERDÍVEL dele com toda a matrix aqui em São Paulo. Ele estará lá, em carne e osso, comemorando os 2 primeiros anos de muito sucesso do ASSIM COMO VOCÊ. Vejam só o convite que fizeram e me digam se não é o melhor que já viram até hoje! Uma coisa dessas só podia ser para ele mesmo... eu amei!

    ONDE: Mr Jack´s, no shopping Paulista

    QUANDO: 17/04, às 17h

    Nos vemos lá!



    Escrito por Flavia Cintra às 23h20
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    Momento "coruja"

    Minha avó está velhinha, com muita dificuldade para andar. É uma mulher forte, orgulhosa por ter criado os seus cinco filhos com o esforço de seu próprio trabalho. É geniosa e teima em não usar a cadeira de rodas que demos a ela. Também nunca pede ajuda, tenta fazer tudo o que pode sozinha. O que não pode fazer sozinha, não faz... a não ser que alguém ofereça. Ela vivia no interior, mas agora está morando na casa da minha mãe e, desde então, temos mais chance de conviver.

    Acho maravilhoso que meus filhos possam ter em sua história a convivência com a bisavó. Eles chegam lá e correm para beijá-la. Mariana, falante como é, conversa horas a fio com sua bisa. Mateus também, ele faz perguntas e presta atenção nas respostas, sem nunca se esquecer de oferecer a ela um pedacinho do doce que tiver nas mãos.

    Estávamos na cozinha, logo após o almoço, e minha avó acomodada no sofá da sala assistindo TV. Mateus interrompeu a conversa, num tom urgente “a bisa precisa de ajuda!”. Vimos minha avó de pé, dando passos inseguros na nossa direção. Ela sempre faz isso e minha mãe corre para dar apoio, pois uma queda na idade dela é muito perigoso. Mateus sabe disso e se preocupa, está sempre alerta. Outro dia ele mesmo ofereceu ajuda, esticando o bracinho na direção da bisa para levá-la ao banheiro. Todos acharam graça, mas eu me emocionei. Como alguém com menos de três anos já é tão solidário, sensível e responsável? É óbvio que isso não se ensina diretamente, tem muito mais a ver com a personalidade que nasce com a pessoa.

    Mateus pode estar ocupado com seu brinquedo preferido ou assistindo o melhor momento do desenho, mas se ouvir um “por favor, me ajude” de qualquer pessoa, ele para o que estiver fazendo e se aproxima com um lindo sorriso para ajudar. Meu filho é uma criança maravilhosa e será um grande homem...



    Escrito por Flavia Cintra às 17h32
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    "Na minha cadeira ou na sua?"

    Estou louca para ler esse livro!

    O lançamento aqui em São Paulo é na próxima 2a, mas a Juliana está na estrada e pode ser que passe por sua cidade.

    Dá uma olhada nesse vídeo. Vendo o astral que tem essa moça, você também vai querer correr para a livraria!

     



    Escrito por Flavia Cintra às 21h40
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    recebi essa do Mark e gostei.

    "A saudade é uma prova de que o passado valeu à pena."

    Cibele Moussa



    Escrito por Flavia Cintra às 22h01
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    Boa noite!

    Hoje foi um daqueles dias difíceis... intermináveis. Chuva, trânsito, frio, um compromisso em cada extremo da cidade.

    Os ponteiros apressados do relógio pularam minha hora de almoçar.

    Depois disso tudo, ainda tive que encarar uma situação amarga, injusta e covarde que quase me fez perder as estribeiras. Injustiça me tira do sério.

    Cheguei em casa a tempo de dar o jantar para as crianças, mas sem um pingo de energia e torcendo para que as crianças quisessem se deitar mais cedo para que eu pudesse descansar. Meia hora depois, eu já estava rindo das coisas que eles diziam, cantando as músicas que mais gostam e me divertindo de verdade com as travessuras da minha duplinha. Viemos para o quarto, rezamos para os anjinhos da guarda e eles foram dormir como dois anjinhos. Adoro vê-los dormir.

    Esqueci tudo, passou a sensação de desgaste do dia e agora só sinto paz. Meu Deus, como é bom ter filhos... obrigada!

    Boa noite, Jonh Boy. Boa noite, Maryanne.



    Escrito por Flavia Cintra às 00h23
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    Esse vídeo me paralisou. Que bom que podemos fazer diferente.



    Escrito por Flavia Cintra às 00h01
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    A história da mãe de uma outra Isabella

    Estava lendo o G1 e encontrei uma reportagem que me emocionou muito. Maysa é mãe de Isabella, uma mãe como eu e tantas que passam por aqui de vez em quando.

    Depois de ler, só consegui abraçar meus filhos e agradecer pela minha vida e pela deles.

    Maysa de Barreto, de 26 anos, tem câncer terminal e faz tratamento intenso de quimioterapia contra uma doença rara, leucemia mieloide crônica. Ela depende de um transplante de medula para sobreviver. Ela escreveu uma carta à mãe de Isabella, Ana Carolina.

    “Ela não tinha mais sua filha e tem a vida toda pela frente, eu tenho minha filha e não tenho a vida pela frente. Poderia ter sido diferente? Isso é injusto? Não, porque Deus tem um propósito na vida de cada um e nós temos que nos conformar mesmo que pareça errado. Em uma de suas últimas entrevistas, Ana Carolina disse que era um fim de um ciclo. Eu peço a Deus que ela realmente se dê essa oportunidade de começar uma nova vida. Isabella não vai ser jamais esquecida pelos brasileiros e muito menos por ela, como minha Isabella jamais será esquecida por mim onde eu estiver”, diz.

    Aqui vai a carta na íntegra de Maysa Barreto para Ana Carolina de Oliveira

    Maysa e  sua filha Isabella

    "Olá, Ana Carolina, meu nome é Maysa Barreto, resido atualmente em Recife-PE. A intenção do email é que ele seja encaminhado para a jornalista Kátia Mello. Creio que ela foi responsável pelo depoimento que Ana Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella, concedeu recentemente à revista ÉPOCA.

    Queria pedir que ela encaminhasse um e-mail meu à mãe da menina, esperei algum tempo para mandar, mas agora sinto que é a hora, com tantos acontecimentos em torno dela. Independentemente se receberei retorno deste e-mail, gostaria de adiantar o assunto.
    Tenho 26 anos, acabei de ser mãe.

    Sou “matuta” do interior de Pernambuco e como “matuta” sempre tive curiosidade em tudo que fosse para sair do meu mundo. Aos 15 anos, saí de casa para estudar fora da cidade. Desde então, não parei mais. Morei em três cidades diferentes até chegar em Olinda, apoiada pela minha família. Sem minha família eu não seria nada hoje e Deus é tão bom que fez com que todos meus familiares me apoiassem em tudo sem saber do meu futuro.

    Aos 18 anos, fiz uma viagem a Porto de Galinhas e lá comecei a praticar “minha liberdade”, o mergulho; não parei mais, viajei para fora do país e assim fui fazendo tudo que gostava. Quando completei 23 anos, estava em Buenos Aires, comemorando com meus amigos e tive um dos maiores sustos da minha. Passei mal e fui encaminhada para o hospital. Lá descobriram que eu tinha um tipo de leucemia rara, mieloide crônica. Eu, que gostava de fazer tudo nessa vida, estava namorando com o amor da minha vida, aproveitava cada minuto como se fosse o último, não tinha medo de nada e nem de ninguém.

    Depois que descobri, vim para o Brasil urgente, fui internada às pressas e partir dali, travei uma batalha. Não baixei a cabeça e não pensava em morrer. Eu tinha duas opções: Lutar ou desistir. Meu feitio sempre foi o primeiro.

    O tratamento é como os outros, mas como o meu tipo era raro entre jovens, eles meio que pegam pesado rs. Fiz muita químio, mas o que eu esperava mesmo era o transplante de medula. Tenho três irmãos e nenhum foi compatível comigo, nem papai e nem mamãe. Simplesmente NÃO ACHAVAM. Eu pensava que ninguém batia a medulinha com a minha e comecei a ficar preocupada porque eu sentia que faltava realizar uma coisa, só uma. UM FILHO.

    Eu não queria um filho porque eu pensava que ia morrer. Eu queria porque sempre fui apaixonada por criança e isso era um desejo meu antigo. Passada essa tempestade, veio a boa notícia: TEM MEDULA FRESQUINHA NA ÁREA! Eu? adoooooooro, né?! rs

    Eu fiz! Fiquei radiante demais, só felicidade! Poderia voltar à minha vida em pouco tempo, claro que moderadamente. Isso serviu para que minha família, meus amigos e meu amor se aproximassem mais ainda. PERFEITO. Tudo beleza de novo. Do dia em que descobri a doença para o transplante foram quase dois anos. Prometi a mim mesma que, a partir dali, seria diferente. Logo eu e meu amado resolvemos juntar os trapinhos e morar juntos. Só amor, felicidade, saúde e… bebê. Isso mesmo, engravidei. Esse dia foi assustador e ao mesmo tempo feliz demais! O que mais tive medo foi de a doença voltar, porque agora não era só eu. Era meu filho. Eu temia e ela voltou.

    No meu terceiro mês de gestação descobri que ia ser mãe de uma menina. E no quarto eu, minha médica e meus familiares tomamos uma decisão difícil, a de suspender o tratamento, que ia fazer mal para minha princesa. Ela já era minha princesa, eu estava disposta a dar minha vida para ela. Minha médica explicou que assim que eu tivesse minha filha, entraria num tratamento intensivo, a doença avançava, logo era crônica. Eu não poderia nem amamentar, pois as drogas são fortes. Comecei o tratamento de leve, se assim posso me referir…

    Desviando um pouco a história, tenho que ressaltar a minha ligação íntima com Deus, antes mesmo da doença, muito antes, claro que depois isso se intensificou…

    Eu, como todos os brasileiros, acompanhamos o caso da menina Isabella, pedi muito ao Pai por ela, ao mestre Chico Xavier, aos espíritos de luz, que levassem ela com muita paz e explicassem para ela o estava acontecendo, que ela agora estava segura.

    Bom, Isabella está com 3 meses. Isabella é minha filha. Uma menina forte e linda. Ela vai ser forte demais, como eu. Ela vai lutar até onde der, como eu estou fazendo agora. No momento me encontro internada em Recife. Olha, sou uma pessoa realista, sempre fui e não estou com a bola cheia não, não estou numa das minhas melhores chances. Quem estiver lendo, não pense que fico deprimida, porque NÃO. Eu tenho consciência que minha Isabella vai crescer sem a mãe, mas eu quero que ela faça tudo que tem direito como eu fiz. Eu amei, aproveitei, chorei… eu vivi muito bem esses meus anos. Eu tenho fé demais em Deus, sei que para onde eu for vai ser bom.

    Espero que pelo menos tenha um mar para eu dar uns mergulhos bacanas e que de lá eu possa ver minha filhota, até a hora em que eu estiver pronta para voltar. Nas minhas orações, tenho pedido para encontrar a outra Isabella quando chegar lá. Ela me passa paz. Eu quero vê-la e abraçar como se tivesse abraçando a minha Isabella e dizer que ela mudou o jeito das pessoas… O nome da minha filha foi uma homenagem para ela. Eu sinto amor por ela.

    Que a mãe de Isabella nunca desista de nada, porque Deus é justo e correto. Nunca duvidemos Dele em nada.

    Amanhã vou para casa, meus cuidados agora serão lá junto de todos que eu amo.

    Eu não desisti, não parei de lutar, mas às vezes chega um ponto em sua vida que você tem que entender que fez sua parte. Eu realizei meu maior sonho."

    Eu tenho 26 anos, acabei de ser mãe e tenho câncer em estado terminal.



    Escrito por Flavia Cintra às 19h09
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    outro post do Jairo

    Gente,

    Estou há uns dias pensando em escrever sobre o livro da Carol, do Rapha e da Tabata. Mas, hoje ví que o Jairo já fez isso com o brilhantismo de sempre. Como sou fã dos autores do post e do livro, não resisti em trazer tudo para cá.

    Vejam em http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/arch2010-03-01_2010-03-31.html

    31/03/2010

    Para Tabs, Carol e Rapha

    Normalmente, é o autor ou os autores de um livro que fazem uma dedicatória para seu leitor, mas, como esse blog é todo do avesso Tonto, sou eu quem vai dizer umas palavrinhas para os mais novos escritores da praça, minhas amigas Tabata Contri e Carol Ignarra e o meu parceiro pra tudo e pra qualquer coisa (ui) Rapha Bathe.

    O trio teve uma ideia genial: escreveu um livro mostrando gente ‘matrixiana’ de todo tipo sejam puxadores de cachorro-guia, cadeirantes, gente pequena, gente torta, gente do bem que tá mostrando ao mercado de trabalho que talento para produzir, seja em qual ramo for, nada tem a ver com capacidade física.

    Tabs e Carol, são ‘malacabadas’ e gatas Beijo, Rapha é ‘lambe-lambe’ (fotógrafo Rindo a toa) e inteirinho das pernas, mas um cara ‘absolutamentchi’ engajado no projeto de dominar o mundo! Uhrúúú

    Juntos, escreveram “Inclusão –Conceitos, histórias e talentos das pessoas com deficiência” -  que, torço muuuito para que venda mais do que as pamonhas de Piracicaba, que são o puro creme do milho.

     

    Pro tio, é uma honra enorme ter ajudado esses três, que estão 24 horas com o estilingue nas mãos para promover um planeta mais acessível e digno para todos, e ser um dos personagens do livro! Aêêêê .... ‘Pricurem’ eu ai na capa!!! O lançamento vai rolar no próximo dia 5 de abril vulgo próxima segunda-feira Convencido. Os detalhes estão mais pra baixo do post.

    Agora, como eu sou um ‘minino bão’ e tomo banho quase que diariamente Com vergonha, tenho uma surpresa pros leitores do blog!!!! Uuuuhrúúúú

    Duas pessoas, vão ganhar o livro autografado pelos três autores!! Isso mesmo, ganhar de graça, na faixa, na boa, na maciota!!! Para concorrer, mande um email pro “Zairo” (eu, eu, eu!!! jairo.marques@grupofolha.com.br ), com o título: “Ei, você ai, me dá um livro ai!!!”.

    As inscrições também podem ser feita por mensagens nos “Facebook”, raio de rede social que continuo a léguas de uma maldito cachorro do Canadá que tem milhares de seguidores.... Muito triste

    No corpo da mensagem, não é preciso colocar nada, mas vocês sabem que sou carente e é sempre bom dizer um mimo, né, não? Carente... Qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo pode participar e o sorteio será feito durante o encontro do blog, no dia 17! Vou enviar o prêmio pelo correio ao ganhador, caso ele não esteja na balada, né?!

    “Zente”, mas bora comprar o livro dos meninos e, quem for de Sampa, vamos lá no lançamento! Deem de presente pros chefes de vocês, pras pessoas que acham que a vida é só um barranco pra ficar encostado, que precisa se motivar para enfrentar o mercado de trabalho. Dê pra você mesmo, dê pros amigos ou mesmo para quem curta uma leitura diferente, inovadora!! Bora “nóis tudo”???

    Hum? Lançamento do livro Inclusão –Conceitos, histórias e talentos das pessoas com deficiência

    Que dia que é? Dia 5 de abril, segundona próxima!

    Onde que é? Na livraria Cultura do shopping Vila Lobos, em São Paulo

    Que horas que é? A partir das 19h

    Quem que é? Tabata Contri, Carol Ignarra e Rapha Bathe

    Quem que editou? Editora Qualitymark http://www.qualitymark.com.br/ 

    Quanto morre? R$ 50 contos, cinqüentão, cinqüenta mangos....

    Prontofalei!

    * Foto de Lara Miranda



    Escrito por Flavia Cintra às 10h40
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    A melhor ATRIZ de 2009

    Vai aqui um momento que mostra um pouquinho da beleza, da emoção e da generosidade dessa mulher incrível.

    Alinne tem meu eterno respeito, profunda admiração e gratidão.



    Escrito por Flavia Cintra às 11h15
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    ...eu vou te contar...rs

    - Como é, mamãe?

    - Onde?

    - Para que, mamãe?

    - Quem é esse?

    - Para que serve?

    - Por que não, mamãe?

    - Quando?

    - Do que esse cheiro é?

    - Cadê o meu... ?

    E se eu não consigo responder imediatamente, eles repetem a pergunta, emendando uma repetição na outra, sem perder o fôlego. Só que eu estava na pia, escovando os dentes, enquanto Mateus, ao meu lado, me metralhava com seus infinitos pontos de interrogação. Tirei a escova da boca e disse num “desabafo cômico”:

    - Meu Deus do céu, mas eu estou escovando os dentes, eu vou te contar uma coisa... viu...

    - Conta, mamãe! Pode contar... o que você vai me contar? Rindo a toa



    Escrito por Flavia Cintra às 16h18
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