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    Memórias de uma mãe cadeirante
     

    saiu na mídia



    os gemeos na capa de outra revista!

    Seleções Reader's Digest - maio/2008



    Escrito por Flavia Cintra às 14h15
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    Família Fantástica

    Fizemos uma matéria que foi ao ar no Fantástico em 13/04/08.

    Lá, contamos sobre a minha gravidez, o nascimento dos bebês, as dificuldades, soluções e alegrias.

    A matéria pode ser vista on line em http://video.globo.com:80/Videos/Player/Noticias/0,,GIM815228-7823-PARAPLEGICA+EXPERIMENTA+A+MATERNIDADE,00.html.

    Fica aqui um agradecimento especial à Renata Ceribelli, pelo carinho, interesse, disponibilidade e cuidado com que tratou do assunto.



    Escrito por Flavia Cintra às 12h48
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    http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup133356,0.htm

    domingo, 2 de março de 2008, 00:00 | Versão Impressa

    Mãe vitoriosa

     

    Atuante na defesa dos direitos dos deficientes, a tetraplégica Flávia Cintra vivencia agora as alegrias da maternidade

    Fabiana Caso - O Estado de S.Paulo

    Grávida de gêmeos, Flávia desafiou médicos. Hoje eles têm 8 meses e muita saúde

    Marcos Mendes/AE

    Grávida de gêmeos, Flávia desafiou médicos. Hoje eles têm 8 meses e muita saúde

    SÃO PAULO - Na sua casa, transborda vida. O casal de gêmeos, de olhos grandes, faz barulhinhos, a babá vai para lá e para cá, a avó prepara a papinha deles, acompanhada da tia dos pequenos. Mas quem comanda toda a movimentação é Flávia Cintra, a mãe orgulhosa. De sua cadeira de rodas motorizada, atende a reportagem, o telefone, brinca com os filhos e dá ordens para todos, com tempo ainda para um sorriso maroto. Tetraplégica, Flávia é uma das brasileiras mais atuantes no trabalho de defesa dos direitos dos deficientes. Contrariando médicos, deu à luz aos gêmeos Mariana e Mateus, que estão com 8 meses.

    Criada em Santos, Flávia cresceu jogando pelada, subindo em árvores e brincando na rua. Os pais se separaram e ela começou a trabalhar aos 13 anos. Ajudava no orçamento familiar e cuidava dos três irmãos menores enquanto a mãe trabalhava como professora. Era secretária, mas fazia alguns bicos como modelo e manequim - vistosa, tem 1,80 metro de altura.

    Foi aos 18 anos que sua vida mudou. O namorado que tinha naquela época guiava o carro, voltando de uma viagem à Serra da Bocaina, na rodovia Anchieta. Na noite com neblina, tentou desviar de um corpo jogado na estrada, ao lado de uma moto. O carro capotou.

    Já no dia seguinte ao acidente, Flávia percebeu que a situação era grave quando viu toda a família no hospital (incluindo o pai e a mulher dele). "Lembrei que minha irmã caçula tinha prova e perguntei o que ela estava fazendo lá", lembra, emocionada. Mesmo tendo usado cinto de segurança, sofreu uma lesão medular, ou seja, quebrou o pescoço. Num primeiro momento, tinha certeza de que a imobilidade era temporária. "Fiquei desorientada. A sensação de injustiça era muito grande, porque sempre tinha sido uma boa filha, era responsável", conta. "Mexe com a auto-estima e a referência de si mesmo."

    Flávia havia se reconciliado com o pai pouco tempo antes do acidente. Lembra que ele foi uma figura essencial naquele momento. "Ele voltou a ter autoridade e tomar decisões. Apesar de eu contestar, precisava disso na época." Depois de uma cirurgia no pescoço, ela passou quatro meses no hospital e depois oito meses na cama, em casa. Teve uma infecção no osso, porque a haste que foi colocada em seu pescoço saiu do lugar. O pai vendeu o carro e conseguiu resgatar dinheiro da época do Plano Collor para pagar a conta do melhor especialista. "Não teria sobrevivido se não fosse por isso", fala. Seu pai morreu dois anos depois do acidente.

    Já a mãe cuidava dela de perto, diariamente. "Ela é maravilhosa. Encontrou uma capa super impermeável para a cama e me dava banho de balde, lavava meu cabelo, que era comprido. Dava um trabalhão, molhava todo o quarto e ela secava tudo", conta Flávia, que, na época, precisava de auxílio para fazer tudo: tomar banho, comer, escovar os dentes.

    Quando ficou melhor, passou a freqüentar o centro de recuperação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), na capital paulista. Depois de várias terapias, saiu de lá comandando a própria cadeira - havia chegado numa maca, porque não conseguia sentar. Se, a princípio, olhava os outros pacientes como "coitados", mudou bem de opinião. "Entendi o que tinha acontecido com meu corpo e percebi que minha situação era tão irreversível quanto a deles." Uma grande inspiração foi a palestra promovida na AACD com João Carlos Pecci, artista plástico e escritor, que também tem deficiência e é irmão do cantor e compositor Toquinho.

    Foi aí que Flávia ponderou: ou ficava na cama tendo pena de si mesma e esperando por um milagre, ou voltava a viver, explorando seus potenciais. Felizmente, escolheu a segunda opção, sem perder tempo. "Percebi que havia tido muita sorte por ter conseguido um bom médico e atendimento na AACD, mas que fazia parte de uma elite. O processo de reabilitação é para poucos." Decidiu, então, batalhar por melhorias para as pessoas com deficiência. "Entendi que informação era poder, ainda mais naquela época, quando a internet estava só começando."

    Passou a desenvolver projetos. Inicialmente, promovia ações como abaixo-assinados para a construção de rampas de acesso. Depois de ter participado do congresso Deficiência e Mídia, percebeu que a pessoa com deficiência sempre é mostrada como coitada na imprensa. Pensando em mudar essa imagem, foi fazer um curso na ONG Centro de Vida Independente, no Rio de Janeiro, e acabou fundando a mesma ONG em Santos. Por cinco anos, atuou fazendo palestras, trabalhando em defesa dos direitos dos deficientes e pela conscientização da sociedade.

    Ao mesmo tempo, retomou a própria vida: voltou a sair, ver os amigos, ir para a balada e namorar (com a mesma pessoa do acidente). "Eu reencontrei formas de prazer no meu próprio corpo, me reencontrei como mulher. A deficiência me deu o autoconhecimento. Tive que aprender a conhecer cada milímetro do meu corpo para desenvolver minha sexualidade", conta. "Tenho sorte, porque não perdi a sensibilidade do meu corpo, só os movimentos. Mas, mesmo as pessoas que perderam a sensibilidade, podem se realizar muito com sexo. A maioria não sabe a diferença entre ejaculação e orgasmo: o segundo acontece na cabeça. Mesmo se a pessoa não tiver deficiência, não atinge o orgasmo se não estiver aberta e não se entregar."

    ONU

    Poucos anos depois de ter participado do programa de reabilitação, Flávia voltou à AACD como palestrante. Em 1997, foi selecionada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para fazer um treinamento em Washington, sobre liderança de mulheres com deficiência em países do terceiro mundo. Voltou cheia de idéias.

    A partir de um projeto que escreveu, a universidade UniSant?anna implantou um Centro de Informação sobre Vida Independente. Dois anos depois, com a assinatura do decreto da Lei de Cotas - que obriga empresas com mais de 100 funcionários a reservar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência -, voltou seu foco para a inclusão social. Foi uma das fundadoras do Instituto Paradigma, onde tinha o cargo de vice-presidente. Lá, coordenava equipes que promoviam capacitação para o mercado de trabalho e fazia pressão para que as empresas cumprissem a lei. Foi quando mudou-se definitivamente de Santos para a capital paulista, com a mãe e dois dos irmãos menores. Detalhe: a caçula, Fabíola, resolveu cursar Fisioterapia desde o seu acidente.

    Em 2006, Flávia voltou para a ONU como integrante da comissão brasileira para o lançamento da Convenção Internacional das Pessoas com Deficiência. "Foi lindo! Passei um mês na sede da ONU, em Nova York, trabalhando no conteúdo desse documento importante." Quando voltou, deixou o Instituto Paradigma e tornou-se diretora executiva da I. Social, uma consultoria focada em inclusão econômica das pessoas com deficiência, que desenvolve cursos de capacitação para o mercado de trabalho. Hoje também trabalha como diretora adjunta do Instituto Brasileiro da Diversidade.

    A atividade profissional intensa cobrou dividendos na vida pessoal. Depois de uma série de namorados, levou um fora marcante. "Ele me disse que eu era independente demais", lembra, divertindo-se. Passado algum tempo, a balança penderia para o outro lado. Conheceu o advogado Pedro Corradino, engajado em Direitos Humanos, e deram início a um relacionamento sério. Depois de uma viagem romântica,foram surpreendidos pela notícia da gravidez de Flávia.

    Já planejavam se casar, mas tudo foi antecipado porque ele queria acompanhar cada momento ao lado dela. Passaram a morar juntos há um ano e meio na casa que Flávia compartilhava com a família - a mãe e os irmãos mudaram-se para outro imóvel a apenas três quarteirões. "Todos ficaram muito surpresos pelo fato de eu poder ficar grávida, apesar da minha deficiência."

    O casal se debateu com a falta de informação sobre o assunto, e o primeiro médico desaconselhou a gravidez. De fato, havia riscos, como o de desenvolver uma trombose, ainda mais porque os bebês eram gêmeos. Mas, finalmente, encontraram uma médica interessada no caso, que administrou os medicamentos corretos para prevenir os possíveis problemas. "Minha gravidez foi maravilhosa e super saudável, porque tive acesso a todas as informações. Reduzi as atividades profissionais, mas não parei de trabalhar", conta.

    Ficou tão feliz e realizada como mãe que só voltou a sair de casa e retomar alguns trabalhos quando os gêmeos tinham 6 meses. "É um amor diferente de tudo que conhecia. Não tinha vontade de fazer mais nada além de ficar perto deles." Ela tem uma babá para ajudá-la em tarefas como colocar os pequenos na banheira e fechar os botões das roupas deles. "Mas quem dá banho e escolhe o que vão vestir sou eu", apressa-se em dizer.

    Sua gravidez gerou muita curiosidade e uma série de e-mails de mulheres deficientes, que também sonham com a maternidade, mas nem sabiam que isso era possível. Flávia cita um dado curioso: há uma alta incidência de câncer de colo de útero entre mulheres com deficiência. "Os médicos partem do pressuposto de que elas não têm vida sexual e, por isso, não pedem o Papanicolau", alerta. Não há estatísticas precisas sobre o número de deficientes que engravidaram, mas Flávia conta que, em 30 anos, a AACD atendeu apenas 10 grávidas.

    Quando perceberam a falta de informações a respeito do assunto, Flávia e Pedro, seu marido, tiveram a idéia de fazer um documentário sobre o tema. Filmaram todos os momentos da gestação e o parto, que foi uma cesária tranqüila, aos oito meses. Agora, estão colhendo depoimentos de outras mulheres com deficiência pelo Brasil afora, que também tiveram filhos. Estão tocando as filmagens em parceria com outros cineastas - o documentarista João Jardim é um deles -, mas precisam de patrocínio para finalizar o projeto. "Não queríamos que fosse apenas sobre a minha história, mas algo mais amplo. Temos que fazer isso paralelamente às nossas outras atividades", esclarece Flávia, cujo cotidiano como mãe também está sendo registrado.

    Hoje, aos 35 anos, ela recuperou o movimento dos braços e faz quase tudo sozinha: come, toma banho, trabalha muito, é mãe. Tem uma motorista que a leva para os compromissos e precisa de ajuda para ser colocada na cadeira e na cama. Está retomando as atividades profissionais aos poucos - não sem a dor no coração típica das mulheres modernas, que trabalham longe dos seus filhos.



    Escrito por Flavia Cintra às 21h27
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    Escrito por Flavia Cintra às 22h38
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    Na Luta!

    O “Na Luta” é um jornal especializado nos assuntos relacionados

    à inclusão de pessoas com deficiência que conta com o apoio e

    parceria de ninguém menos que o Hebert Vianna.

    Eles me entrevistaram quando eu estava grávida.

    http://www2.uol.com.br/paralamas/na_luta/naluta2maio2007.pdf

    Agora publicaram um depoimento meu sobre como tem sido a

    minha vida desde que o Mateus e a Mariana nasceram.

    http://www2.uol.com.br/paralamas/na_luta/naluta5outubronovembro2007.pdf



    Escrito por Flavia Cintra às 09h38
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